
SEM PALAVRAS
A vida inteira busquei
explicações e deciframentos;
encontrei silêncio e segredo,
às vezes o conforto de um ombro,
outras vezes
dor.
No último lapso
de um tempo sem limites
- embora a gente o querira compor
em fragmentos -,
abriram-se as águas
e entrei onde sempre estivera.
Tudo compreendido
e aabsolvido,
absorta eu me tornei
luz sem sombra:
assombro.
LYA LUFT
Demorei uns dias mas concluí a leitura do livro da Lya Luft, O SILÊNCIO DOS AMANTES...Adorável, o termo que encontrei agora para definir o que senti lendo, mas existem mais termos cabíveis. A cada conto uma surpresa, um detalhe que me saltava aos olhos, a alma e ao coração. Escrevi que amo esta mulher, também amo literatura(aqui uma lembrança das "prof.GRAÇA" e seu blog Anjo de Prata). Escrevi também que ao ler o primeiro conto não contive as lágrimas, não defini se lágrimas de pura emoção pelo que li, ou meu estado interior, ou a alegria de ler algo que me tocasse tanto...segui lendo e conclui, como iniciei dizendo...adoraria poder falar de cada conto, mas quando li o último e que dá nome ao livro, fiquei tão comovido e emocionado com a história, de que o amor será sempre possível, embora a vida às vezes nos mostra o contrário, assim foi com os dois personagens, que traídos pelo destino, haviam desistido do amor, pois suas perdas foram profundas e desgastantes, como pode e ocorre na vida real, então entra o fator Lya, que desenvolve uma história, bonita, comovente, com realismo sem deixar de ser sonhadora, de que realmente é possível refazer vidas, se reconstruir...Acho que começo a me reconstruir também, pois as palavras tem poder. Então passei um final de semana com meus pais, e pude sentir novamente o amor que sempre sinto deles por mim, aquele amor às vezes silêncioso, mas verdadeiro e profundo...Também ouvi que não sou esquecível, como sempre pensei (foi tão bom ouvir isso), e por fim, como fiz aniversário sexta passada, recebi um abraço como a muito tempo eu não sentia...Acredito ser um sinal da Lya, é possível reconstruir, apesar das perdas, apesar dos silêncios...





