quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

COISAS BOAS

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para DILITA

Pesticidas ou insumos, seria a nova batalha inútil pra um mesmo mal na área politica...assunto pesado e envenenado para ler em consultório médico, mas era a única revista disponível enquanto aguardava o médico. Olhei para meus ferimentos, olhei para porta da sala do médico, silêncio. Tudo sempre aconteceu assim nestes tempos de pouca fé e muita maldade nos olhares. Não é um câncer,  somente  uns pontos lá e aqui, mais aqui, agora sem perigo de morte. Os dias passando lentamente, quente, chuvas, noites e dias...Marília me comoveu, personagem ficcional ou real no livro que acabei de ler, Montemor, Verdade ou Fantasia, de minha adorada Dilita, amiga e parente portuguesa, com certeza, do blog Rendas de Birras. A leitura aproxima o cérebro do espírito, ou da alma, como se desejar. Delicioso ler e encontrar partes que estavam dentro de mim, que conhecia, lendo este blog. Comovente escrito e muito correto. Maravilhoso. Coisas boas acontecem, neste mar bravo que está a vida, algumas calmarias...outras vezes enchente. Dentro do sala do médico, apenas repouso, nada de morte, talvez perder um pedação do dedo, mas não serei presidente. Olho para os pesticidas, quando saio da sala  e saio do consultório. Faz muito tempo que estamos sendo envenenados, e não são só os transgênicos, é a mídia. as fofocas, a intolerância, a falta de amor...somos homens de pouca fé.
Caio de joelhos agora e na hora de nossa morte,  AMÉM.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

SEM AS ESTRELAS


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Longe de tudo 
 
Longe de tudo, longe de você (2x)
Por um momento me esqueço, mas parece ser isso mesmo
Longe de você, longe de mim

Longe de tudo, longe de você (2x)
Por um momento me esqueço, mas parece ser isso mesmo
Longe de você, longe de mim

Longe de tudo (longe de você)
Longe de mim (Longe de você)
Longe das luzes (longe de você)
Longe do sol (longe de você)

Sem as estrelas, sem seu amor baby....
Você não sai a noite, com as luzes da cidade....
Eu sempre saio a noite eheh, com as luzes da cidade
Existe algo especial
Por um momento me esqueço
Mas parece ser isso mesmo
Longe de você, Longe de mim, Longe de mim, Longe de mim....


by IRA

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

A SOLIDÃO ME ENSINA




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Mirada Secreta

Foram-se
 os amores que tive
Ou me tiveram. Partiram
Num cortejo silencioso e iluminado.
A solidão me ensina
A anão acreditar na morte
Nem demais na vida: cultivo
Segredos num jardim
Onde estamos eu, os sonhos idos,
Os velhos amores e os seus recados,
E os olhos deles que ainda brilham
Como pedras de cor entre as raízes.



by Lya Luft




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terça-feira, 11 de dezembro de 2018

NA ÁGUA QUE CANTA, NO FOGO MORTIÇO

     
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Barco Negro


De manhã, que medo, que me achasses feia!
Acordei, tremendo, deitada n'areia
Mas logo os teus olhos disseram que não,
E o sol penetrou no meu coração.[Bis]

Vi depois, numa rocha, uma cruz,
E o teu barco negro dançava na luz
Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas
Dizem as velhas da praia, que não voltas:

São loucas! São loucas!

Eu sei, meu amor,
Que nem chegaste a partir,
Pois tudo, em meu redor,
Me diz qu'estás sempre comigo.[Bis]

No vento que lança areia nos vidros;
Na água que canta, no fogo mortiço;
No calor do leito, nos bancos vazios;
Dentro do meu peito, estás sempre comigo

by Caco Velho e Piratini
na voz  Amália Rodrigues ou
Margarida Guerreiro

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

O TEMPO SECO

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Arrastando um feixe de ossos, estrada a fora. Ossos catados na seca do nordeste, ossos de animais e alguns crânios humanos, muito pequenos. Eram de crianças mortas pela seca, pelo abuso, pela fome, pelo trabalho escravo infantil. Morrem muitas crianças neste país. O tempo seco, a terra esturricada, levanta poeira a cada passo dado. O Sol escaldante sobre a cabeça, que é ornamentada com um chapéu, velho, surrado, sujo pelo tempo. É um castigo, a pena eterna, vagar por estas terras secas e vazias de alma e de verde, pois tudo está seco, cadavérico e pequeno, como se os arbustos tentassem, mas o Sol que também dá vida, não permitia, seus raios impiedosamente atingiam as plantas, as sementes, as raízes...Vagando sem destino, arrastando ossos e remoendo dores e mágoas, medos e abandono e solidão. O dia se estende, os pés já não sabem mais, se pisam ou flutuam, as dores adormeceram os passos, que seguem, ad infinitum...Olhando para trás, o que ficou, não tem mais jeito. Águas passadas não movem moinhos, mesmo um Quixote iludido, assim seguia sua saga, sua sina. Arrastando os ossos no deserto de vidas, onde o passado deixou de assombrar, apenas os mortos continuam vivos em seu coração, que dilacerado e infeliz, teima em bater, levando sangue para o cérebro, para todo o corpo, que se sente morto. Se ao menos o coração parasse de bater, se juntaria aos mortos que tanto amava e que o deixaram assim, perdido, só, arrastando um feixe de ossos, estrada a fora.

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

"Acenderam-se de súbito os postes de iluminação!"


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As luzes brilham nos postes, e meus olhos brilham no escuro de uma lágrima que se perde em minha roupa de cama. Sei que lá fora o mundo continua, apesar de minha dor, de minha tristeza. Embaixo das árvores de plástico, ainda se percebe o sussurro de um menino triste, deitado no chão, brincando com uma formiguinha desorientada, sem suas pequenas antenas. Ele tenta falar com ela, mas ela não ouve, não entende, ele chora e uma lágrima afoga a pequena formiga. As luzes ainda brilham forte, sob um céu escuro e sem estrelas, do mar. São ciumentas, as luzes, e não permitem que as estrelas tirem seu brilho. Aos poucos o sono e o cansaço vão vencendo a dor e a angustia, deixando-me dormir em paz. Paz que logo acaba, com a chegada dos pesadelos, iniciando a ronda noturna, torturando ao longo da madruga...Agonia, Instante da vida que precede imediatamente o momento da morte, este era meu estado naquela tarde de pouco Sol e muitas nuvens e ventos, agonia. Não fosse o mal estar, era só se deixar levar para aquele plano brilhante que tudo se transformou, um pouco antes da náusea. Olhei para uma árvore e ela brilhava tanto que parecia me cegar por instantes, me jogando num fundo escuro e calmo e frio, mesmo assim, meu corpo suava, perdendo líquido, memórias e saúde. Tentei contar quantos passos conseguia dar, mas não saia do lugar, deixava de me comandar, envolto nos braços da morte. E fiquei ali, me olhando, enquanto algumas mulheres tentavam desesperadamente encontrar uma veia: traiçoeira, dizia uma delas, depois não ouvi mais nada. Aos poucos retornei ao que era antes, vivo. Algumas pessoas esperavam minha volta, só queria proteger minha mãe, então não morri. Acordo assustado, sento na cama e sinto que vivo, era um pesadelo...antes de pegar no sono, percebo que pela janela ainda entra uma luz artificial e brilhante, dos postes de iluminação.

by Jair Machado Rodrigues



(Muito obrigado Mário Quintana)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

EU SIGO ADIANTE

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Cocktail Party





Não tenho vergonha de dizer que estou triste,
Não dessa tristeza ignominiosa dos que, em vez de se matarem, fazem poemas.
Estou triste porque vocês são burros e feios
E não morrem nunca...
Minha alma assenta-se no cordão da calçada
E chora,
Olhando as poças barrentas que a chuva deixou.
Eu sigo adiante. Misturo-me a vocês. Acho vocês uns amores.
Na minha cara há um vasto sorriso pintado a vermelhão.
E trocamos brindes,
Acreditamos em tudo o que vem nos jornais.
Somos democratas e escravocratas.
Nossas almas? Sei lá!
Mas como são belos os filmes coloridos!
(Ainda mais os de assuntos bíblicos...)
Desce o crepúsculo
E, quando a primeira estrelinha ia refletir-se em todas as poças d'água,
Acenderam-se de súbito os postes de iluminação!





by Mario Quintana



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