quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

PALAVRAS AO VENTO



                                                     
                                         
 
Ando por aí querendo te encontrar
Em cada esquina paro em cada olhar
Deixo a tristeza e trago a esperança em seu lugar
Que o nosso amor pra sempre viva, minha dádiva
Quero poder jurar que essa paixão jamais será
Palavras, apenas
Palavras pequenas
Palavras, momentos
Palavras palavras
Palavras palavras
Palavras ao vento
Palavras, apenas, apenas
Palavras pequenas
Palavras


Palavras ao Vento – Marisa Monte e Moraes Moreira

na voz de Cássia Eller



Gosto de palavras, especialmente de algumas que podem chegar de surpresa, ou uma palavra velha dita como se fosse a primeira vez, trazendo outro sentido. Gosto de ver as palavras e do que elas são capazes. Palavra é poder, já me disseram. Sempre as ouvi e quando comecei a vê-las foi a maior descoberta que poderia fazer, meu passaporte para as maiores viagens,uma revolução se formou dentro de mim, um vulcão, um tsunami e só comecei a entender quando aprendi a exteriorizar em folhas de papel em branco. E o resultado não só me agradava como acalmava minha alma, que olha através de meus olhos. Nem sempre eram derramadas palavras doces no papel, por vezes vinham sombrias, tristes...mas após instalarem-se no branco do papel, não assustavam mais. Descobri uma forma de cura para meus males do corpo e da alma, exorcizar os demônios que habitam cada um de nós, sempre prontos a nos autodestruir, a nos atormentar e por vezes nos fazer desistir – eu quase sucumbi, mas escolhi viver. Gosto de palavras que dizem do amor. Gosto de palavras que perdoam e celebram a amizade. Nem sempre consigo deixá-las no papel, às vezes me atormentam anos dentro de mim, antes de encontrar uma saída e morrer no branco do papel e salvar minha sanidade.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

CARTA DE UMA SENHORA DE 84 ANOS

Recebi este email e não resisto e tenho de postá-lo...na verdade sinto isso e adoraria ter dito, mas foi uma senhora de 84 anos, sra. Ruth Moreira e foi publicado em um grande jornal brasileiro. Na busca de assunto ou sentimentos ou histórias para escrever um post me deparo com o vazio, nenhuma ideia e as que penso, perdem o sentido à medida que tentava desenvolver. Cheguei a pensar (ainda penso), será que meu tempo de bloguer acabou, não terei eu mais o que escrever, e se escrever serei mais sentimento ou razão, serei sincero ou escreverei as mentiras ficcionais que invento ? Tudo está muito confuso neste começo de ano, se bem que aqui no Brasil as coisas começam a acontecer (ou não) após o Carnaval. Ms neste tempo tentando escrever, tenho lido muitos blogs, o que me deixa satisfeito, pois encontro o que gostaria de ouvir ou ver ou refletir nestes blogs. Esta carta é meu grito de indignação...

 
"Estou com vergonha do Brasil.          
         Vergonha do governo, com esse impatriótico,
         antidemocrático e antirrepublicano projeto de poder.

Vergonha do Congresso rampeiro que temos, das Câmaras que dão com uma mão para nos surrupiar com a outra,
políticos vendidos a quem dá mais.

Pensar no bem do País é ser trouxa.


Vergonha do dilapidar de nossas grandes empresas estatais, Petrobrás,
Eletrobrás e outras, patrimônio de todos os brasileiros, que agora estão a
serviço de uma causa só, o poder.
Vergonha de juízes vendidos.
Vergonha de mensalões, mensalinhos, mensaleiros.
Vergonha de termos quase 40 ministros e
outro tanto de partidos a mamar nas tetas da viúva,
enquanto brasileiros
morrem em enchentes, perdendo casa e familiares por desídia de políticos, se não desonestos, então,
incompetentes para o cargo.
Vergonha de ver a
presidente de um país pobre
ir mostrar na Europa uma riqueza que não temos
(onde está a guerrilheira? era tudo fantasia?).


Vergonha da violência que impera
e de ver uma turista estuprada durante
seis horas por delinquentes fichados e à solta fazendo barbaridades,
envergonhando-nos perante o mundo.
Vergonha por pagarmos tantos impostos e
nada recebermos em troca - nem estradas, nem portos, nem saúde, nem segurança, nem escolas que ensinem para valer, nem creches para atender a
população que forçosamente tem de ir à luta.


Vergonha de todos esses desmandos que nos trouxeram de volta a famigerada inflação.

Agora pergunto:
onde estão os homens de bem deste país?

Onde está a Maçonaria? OAB? CNBB?
Militares???LYONS?
Onde estão os que querem lutar por um Brasil melhor?

Porque os congressistas, ao inves de instituirem Pena de Morte para assassinos e estrupadores,
lhes concedem gorda Bolsa Presidiario?

Enquanto isso, grande parte do povo brasileiro, trabalha honestamente, pra ganhar bem menos do que aqueles que mataram e estruparam.

Isso, somente estimula a marginalidade!

Estou com muita vergonha do Brasil!

Por que tantos estão calados?
Tenho 84 anos e escrevo à espera de um despertar que não se concretiza.

Até quando isso vai continuar?
Até quando veremos essas nulidades que aí estão sendo eleitas e reeleitas?
Estou com muita vergonha do Brasil.
eu estou com vergonha DOS BRASILEIROS.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

NÃO É PRECISO MUITO

 




SIMPLES DESEJO
 
Que tal abrir a porta do dia
Entrar sem pedir licença
Sem parar pra pensar,
Pensar em nada...

Legal ficar sorrindo à toa, toa
Sorrir pra qualquer pessoa
Andar sem rumo na rua

Pra viver e pra ver
Não é preciso muito não
Atenção, a lição
Está em cada gesto
Tá no mar, tá no ar
No brilho dos seus olhos
Eu não quero tudo de uma vez
Eu só tenho um simples desejo

Hoje eu só quero que o dia termine bem
Hoje eu só quero que o dia termine

by Jair Oliveira ( o Jairzinho do Balão Mágico rs)

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

DEPOIS, A NUVEM






"Depois, a nuvem.
Como se dá a alguém um pedaço de céu?
No fim da rua Munique observou uma nuvem gigantesca aproximar-se por sobre as colinas, como um monstro branco. Escalou as montanhas. O Sol foi eclipsado e, em lugar dele, uma fera branca de coração cinzento vigiou a cidade.
- Olhe só aquilo! - Disse ela ao pai.
Hans inclinou a cabeça e declarou o que lhe pareceu óbvio.
- Você devia dá-la ao Max, Liesel. Veja se consegue deixá-la na  mesa de cabeceira, como todas as outras coisas.
Liesel o fitou como se ele houvesse enlouquecido.
- Mas como?
Ele lhe um piparote de leve na cabeça.
- Decore-a. Depois, escreva-a para ele.
-...parecia uma grande fera branca - disse a menina, em sua vigília seguinte junto ao leito - e veio por cima das montanhas.
Quando a frase foi concluída, com vários ajustes e acréscimos diferentes, Liesel  achou que havia conseguido. Imaginou a visão da nuvem passando de sua m ão para ele, através dos cobertores, e a escreveu num pedaço de papel, colocando a pedrinha em cima."

(trecho do livro "A Menina Que Roubava Livros" de Markus Zusak - tradução de Vera Ribeiro)


ps. Acabei este livro neste ano novo rs, adorei...este trecho que postei , quero com ele agradecer os amáveis e emocionantes comentários do meu poema NUVENS do post anterior, fiquei muito feliz, muito mesmo...no trecho postado a menina está dando vários presentes para um rapaz moribundo hospedado em sua casa, e o presente nuvem me pegou, achei tão lindo, que gostaria de dar uma nuvem a cada comentárista do post anterior, e também aos que por algum bom motivo me seguem, hoje são 96 seguidores, meu carinho meu respeito e meu abraço a estas pessoas especiais. OBRIGADO.
 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

NUVENS





NUVENS

para Helena Petkowicz, que vê nuvens pela janela comigo...


Tenho feito buscas de nuvens
as perdidas
as distantes
na memória, nos instantes
em que o tempo parou.
Tenho sonhado com nuvens
em que pulo de uma em uma
e olho do céu a terra
e vejo o menino deitado no chão,
olhando nuvens e sorrindo,
brincando com os caneiros do céu,
(que são as nuvens que pulo).
Tenho tentado as sombras das nuvens
abaixo do Sol escaldante,
para que eu siga
para que eu diga
que há uma nuvem guardada no fundo da memória, 
e nela está minha infância perdida.

by Jair Machado Rodrigues 


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

NATAL E MORTE



Acordei...passei o ano todo acordando, nem sempre na hora, nem sempre querendo, mas atravessei  mais um ano, eu acho, não acabou ainda. Todas as mágoas vieram à tona, minhas dores esquecidas, meu amor perdido, todos os seres humanos"maus"  estão na minha frente, sempre me desafiando, desafiando minha paciência, meu humor, até meu silêncio.
Faz algum tempo, este louco tempo, fica me dizendo que já passou e eu nada. Nada de vida, nada de morte, nada de amor, nada de ódio, nada... 
"Você não sabe
O quanto caminhei
Pra chegar até aqui
Percorri milhas e milhas
Antes de dormir"
(Cidade Negra)
Cúmulus  nimbus se aproximam lentamente, sobre mim, como a morte, que espero seja leve e indolor, pois cheguei no limite do não limite branco (Caio Fernando Abreu), do abismo de uma juventude perdida, como os poemas nunca escritos poe Augusto dos Anjos, nem por nenhum morto ou vivo ilustre...
Não cortarei meus pulsos, pode não dar tempo de morrer, e, nunca gostei de ver meu sangue, nem sentir dor... mas meu coração  sim, este sabe bem o que é dor, mas quem se importa ? Nem eu quero saber mais de mim, não quero mais saber de nada... Deus é tudo, Deus é nada. Eis-me aqui, meu próprio avatar sem rumo sem planeta sem futuro sem eu sem amor sem caminho sem desejo sem destino.
"Um pobre diabo é o que sou
Um girassol sem sol
Um navio sem direção
Apenas a lembrança do seu sermão"
(!Ira)
Pobre Natal, pobre Natal geme o sino...nunca tive os brinquedos     que desejei, nem as ceias que via pela televisão, muito menos a solidariedade que era muito falada, não mais hoje. Envelheci e não vi nada de bom nisso, não aprendi, não me conformo, poi sei que não sou o pior dos seres humanos, já vi e convivi com muitos, horríveis, monstros, cruéis, medíocres, e todos, todos se deram bem, gratificações, títulos, poder... mas o que fazer quando não se tem ambição ? Concluo que não pertenço a este mundo, que estou completamente equivocado... estou cansado, acho que nunca fui um menino bom, por isso Papai Noel nunca encontrou minha casa.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

DIAMBA, NELSON MANDELA, DIAMBA





Aprendi que 20 de novembro é uma data sagrada para nós negros, porque nos lembra um grande mártir, um irmão de pele negra, evoluído que se permitiu viver entre nós para nos ensinar a viver em paz e harmonia, todos, independente da cor da pele, apenas a raça humana, era Zumbi, o Rei de Palmares.
Minha amiga Ju já me chamou de seu melhor pior amigo, por esquecer datas importantes, como o aniversário dela, dia do amigo, etc...esqueci que uma grande amiga, Maria Helena, seria homenageada (como foi) no dia 20 de novembro, por todo o seu trabalho no ensino, as conquistas de uma mulher, minha amiga, negra.
No dia 20 postei uma situação que havia ocorrido comigo naquele dia, ao pegar uma condução coletiva, enfim...Estava pensando antes do dia 20 em prestar uma homenagem aqui no blog, pensei num poema que recitei há muito tempo, quando jovem ainda, no grupo amador de teatro Verso Explícito (até hoje gosto desse nome). Este grupo de teatro da juventude foi o último grupo que pertenci, última tribo que amava poemas, mas passou, ficou a boa lembrança. (Embora tenha sido calorosamente acolhido, em minha passagem por BlogsVille, ter feito amigos que serão para sempre, mas como o personagem Astronauta de Maurício de Souza, continuarei vagando pela blogosfera).

o poema:

DIAMBA
by Raul Bopp

Negro velho fuma diamba
para amassara memória
o que é bom fica lá longe...

os olhos vão-se embora para longe
o ouvido de repente parou
Com mais uma pitada
o chão perde o fundo
Negro escorregou
caiu no meio da África

Então apareceu no fundo da floresta
uma tropa de elefantes enormes
trotando
cinquenta elefantes
puxando uma lagoa

Para onde vão levar esta lagoa?
está derramando água no caminho

Água do caminho juntou
correu correu
fez o rio Congo

Águas tristes gemeram
e as estrelas choraram
Aquele navio veio buscar o rio Congo!
Então as florestas se reuniram
e emprestaram um pouco de sombra para o rio Congo dormir
os coqueiro debruçaram-se na praia
para dizer adeus.

Raul Bopp era um poeta gaúcho modernista, um dos fundadores da Revista Pau Brasil, coisas importantes que revolucionaram o país com a Semana de Arte Moderna, tenho o maior carinho e respeito pela obra do autor, Cobra Norato é um de seus livros de maior expressão.
A propósito, este poema chegou até meus sentidos através de meu amigo Jaca, pois sabia que procurava poemas que me identificasse no recital que o grupo de teatro montava, como todos, menos eu, eram e são brancos, precisava deste poema...

ps. DEDICO ESTE POST À NELSON MANDELA

ps.2. Meus queridos amigos  comentaristas do post anterior, OBRIGADO, mas voltarei para meu tradicional comentário do comentário...não o fiz por problemas técnicos, nesta peça atrás deste teclado. Minha compulsão por postar estava no limite...