segunda-feira, 12 de março de 2012

MINHA VIDA NA INTERNET



É claro agora. O ponto. O instante. O portal. Um mergulho. Outra dimensão.
Atravessar a porta. O portão. Entrar no mar. Sair do ar. Me tornar um ser humano virtual.
Começo a perceber a diferença, do que me torno vivendo o mundo virtual. Na verdade, não há diferença, pois ninguém mostra o monstro que é...mostramos o que achamos que temos de melhor; meu melhor texto, meu melhor poema, minha melhor foto, enfim...como na vida real mostramos o "belo" de nossa personalidade, aquilo que os outros vêem em nós ou gostaríamos que nos vissem.
Tenho medo de ter caído nesta cilada, armada por nós mesmos. Embora sempre tenha brincado com minhas metáforas,nos meus delírios escritos, minhas mentiras sinceras; que forma meu redemoinho  na busca de uma suposta literatura.
Quero buscar e encontrar minha verdade, mas será a internet o lugar certo (para mim é, não tou viciado, mas se passo muito tempo sem me conectar, é como se  o ar começasse a faltar).
Mas a vaidade, a prepotência que tanto temo, pode fazer com que comece  buscar escritos que agradem, mas como saber, como agradar ? E agradar quem ?
Hoje quero um pouco de sinceridade comigo, quero escrever para mim, como quando comecei, como Anaís faz em seu blog Sózinha na Madrugada (que adoro). Mas e as trocas, as visitas e os comentários...bom, eu gosto disso, aprendi a gostar à medida que meu blog ía se formando, aliás  ele continua se formando, assim como eu.
Precisamos de amigos, então devemos respeitar, e já que o que usamos são as palavras para nos conectar-mos, tentemos ser os mesmos, virtual e real, senão um dia não saberemos mais quem verdadeiramente somos.

ps. Tou feliz demais ao saber notícias de minha poetinha Rosana Azul, ela estava na terrinha, mandou-me um email com uma foto linda do rio Tejo, que não é esta, mas é o Rio Tejo de Portugal.

quinta-feira, 8 de março de 2012

PELO AMOR DE DEUS



Pelo Amor de Deus

Emílio Santiago



Pelo amor de Deus

Clareia a minha a solidão

Acenda a luz do teu perdão

Apaga este adeus do olhar



Faz dos medos meus

Receios sem nenhum valor

Desperta o nosso imenso amor

Não custa nada perdoar



Você virou tatuagem

No meu pensamento e no meu coração

Feito uma estranha miragem

À beira dos olhos e longe das mãos



Perdoa, meu amor

Nobreza maior que o perdão

Não há no reino da paixão







terça-feira, 6 de março de 2012

A CASA DOS MORTOS



Poderia esperar o ônibus em que Cortázar atravessou numa tarde quente, ao longo do Bestiártio, mas éramos apenas eu e minha mãe saindo no portão de nossa casa para visitar A Casa dos Mortos. Minha mãe nunca gostou muito de flores para funerais, dizia-me que os mortos merecem o nosso respeito sincero, da alma, do coração e não usar de algo belo para tentar não ter de assumir nada na frente de ninguém; eu, já achava que deveria ser um ritual muito antigo, minha mãe ria, me pegava pela mão e lá íamos nós fazer a visita anual aos nossos mortos. Naquele tempo meus avós eram vivos, minha tia, tios... Éramos agora, minha mãe e eu na frente do jazigo da família, onde repousam as pessoas que mais amamos na vida. Ela tenta como se tocar o rosto da mãe, minha avó, na fotografia, de minha tia tive certeza que ela sentiu o acariciar de minha mãe na sua face gelada no mármore. Ficamos em silência um longo tempo, eu sentado num túmulo próximo, na sombra de outro. Minha mãe não, como num transe parecia estar em família, não importava o sol, nem se ouvesse frio, ou chuva, não, ela só estava ali completamente deles...percebia que estava bem quendo via uma lágrima, escorrendo em sua face. Eu na sombra, começava a entender o transe, era pura, a mais pura, concreta e doloroda SAUDADE. Quando ficou claro em minha mente, em meu coração, nos abraçamos e choramos, o vazio que nunca será preenchido... mas que mesmo assim, precisávamos ir embora, minha mãe continua comandando o ritual da comida de domingo.

ps. é um título nada original, mas eu pensei na possibilidade de um post quando minhas mãe e eu fomosd o cemitério, e aí está

ps. foi um tempo que senti muita saudade dos vivos, mas senti muito medo e estranhamento...o comportamento das pessoas tem me assustado. tenho medo de assustá-las também, mas aposto mais uma vez na vida, na esperança, na solidão (sim na solidão, pois ela me ajuda a pensar, a dormir, a ter insônia...)rs 

ps. não existe nada melhor na vida, que acordar, sentir um aroma de café, algumas palavras ao longe para não ser acordado, mas ia para a cozinha e sentava a mesa com meu pai, enquanto minha mãe prepava nosso desjejum, amém.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

OVELHA NEGRA



Ouço a extinta Banda !Ira...
O tempo resolveu voltar  ou dar voltas em  minha vida, então revejo, reencontro, relembro, revivo, mais uma ex-colega dos tempos do curso de Direito, e ela é blogueira...enfim, ela continua estudando, fazendo mestrado, e isto é inspirador...não, quero voltar a estudar, não agora, mas não consigo deixar de ver com os olhos críticos que encontrei estudando Direito, a porcaria que vivemos hoje, em todos os sentidos.
Que Estado de Direito é este ?, parodiando Legião Urbana. Que país é este ?.
Em épocas de carnaval, vivemos o concreto da carnavalização, termo que conheci nos escritos de Luis Alberto Warat, quando fiz um trabalho sobre Direito Alternativo, isso há muito tempo. O curso acabou há quinze anos...e  vivemos  uma absurda carnavalização moral, ética, política neste país. Um exemplo de carnavalização, no sentido que emprego, um jogo amistoso da Seleção Brasileira( eu também gosto de futebol, mas...) no meio de semana, então pára-se tudo no país, que fica eufórico, uma espécie de catarse coletiva, esquecendo-se de tudo o mais, inclusive votações feitas na sombra desta "festa do povo" nas instituições governamentais... e por aí vai...naõ escrevo sobre política, mas vivemos uma política, querendo ou não...sei que poderia desenvolver varios posts com o tema, mas fico por aqui. Às vezes é mais forte que eu, parece que vivo num país de mentiras, e isto já vem desde 1.500, o descobrimento do Brasil (mais Legião Urbana)...

ps. O show de despedida da cantora e compositora Rita Lee teve um desfecho um tanto curioso, com policiais reprimmindo um fã clube da cantora que fazia uso de suposto entorpecente, ao que a cantora revidou com palavras os policias, um verdadeiro berro de resistência  do rock, de alguém que atravessou não uma temporada, ou um disco, mas uma vida inteira dedicada a este seguimento de música. Ela estava certa, ela estava errada ? não questiono isso, mas louvo a atitude, o que se perdeu ao longo da história da música, perdeu em qualidade também, mas alguém não se entregou para o sistema, por isto e sua história musical minha solidariedade a Ovelha Negra do Rock and Roll, RITA LEE.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O AMIGO: UM SER QUE A VIDA NÃO EXPLICA





Sobre dor e medo, angústia e tristeza...é quase a base do que escrevi até então neste blog, contei muitas alegrias também, inventei histórias e coloquei letras de músicas que sempre me disseram alguma coisa, independente do tempo, pois este passa literalamente sobre nossas cabeças. Mas não é disso que falo hoje, quero falar de amizade, outro tema sempre exposto neste blog. Há muito deixei de confiar nas pessoas, depois de muita decepção, mas não somos seres sós (exceto eu), e precisamos do próximo, justamente onde está o problema...gostaria de escrever um post positivo, não positivista ou Lair Ribeiro, mas algo bom, que alevasse a alma, que fizesse sorrir, sem ser piada.
No dia 23, recebi uma ligação, cuja voz me era conhecida, mas de muito tempo atrás, mas quando ouvi       a risada, logo identifiquei, era um ex-colega da faculdade que virou meu amigo muito amado, mas o tempo, sempre ele, se encarregou de nos afastar. É culpar alguém, neste caso culpo o tempo, o que na verdade era minha antiga maneira de viver, de fechar os olhos e virar as costas, sem esperar um explicação. A paranóia quase arruinou minha vida...com isso me afastei de muitas, mas muitas pessoas amigas, algumas não tive coragem de procurar, como este (bom, não vou dizer o nome dele pois ele ameaçou me processar se tivesse alguma história não boa dele rsrsrsrs...).
Quanta retórica para dizer que não se deve deixar para amanhã, devemos agir agora, senão    não haverá mais tempo, ou talvez seja tarde demais, pois neste tempo afastado desse amigo, ele ficou muito doente, mas graças a Deus está bem, e eu me senti muito mal, ou sei lá o que senti, pois seria muito triste se algo muito ruím acontecesse, não me perdoaria nunca..não existe nada maior, melhor ou belo que a amizade, por isso respeito muito meus seguidores, as pessoa que  aqui comentam, são meus amigos, e como disse a Anaís,  às vezes são mais importantes do aqueles que estão em nosso lado.
Graças a Deus tenho muitos amigos espalhados por aí, o que preciso é procurar, ligar como este amigo fez, então se percebe que o tempo não existiu, e que a amizade é maior que tudo.

Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
Vinicius de Moraes

dedico este post a este amigo, aos amigos que me seguem, aos amigos que comentam, aos amigos que me aturam ao vivo, aos amigos que tanto amo...

ps. a figura acima é uma homenagem a este amigo que se intitulava Presuntinho Fonseca, bom eu poderia ser o cão ao lado, mas é uma cã.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

TEMPO PERDIDO





TODOS OS DIAS QUANDO ACORDO, NÃO TENHO MAIS O TEMPO QUE PASSOU....
Renato Russo

Quanto tempo me resta, nesta eterna (eterna?) luta contra o tempo ? Eu não sei, só sei que o amor. o meu, restou inútil, restou uns caquinhos, poeiras, mágoas, desilusões, lá no fundo daquela gaveta, cuja chave não lembro onde guardei ... outro dia uma menina, bom eu calculo, se tem idade para ser minha filha, é menina; ela me perguntou se eu estava amando alguém. Ela chocou  quando disse que não amava ninguém...meninas são tão românticas, não que eu não o seja, mas minha esperança acabou, e meu tempo ? é pouco.
Nos primeiros passos dessa jornada que é este ano que acabou de iniciar já contabilizo experiências amargas, nada que não se resolva, nada que me tire do prumo, nada que faça chorar (se bem que na hora sempre dá vontade, mas...), mas continuo a me surpreender quando acordo, não tem ninguém do lado, mas abrir os olhos e se descobrir vivo, não tem preço. Só preciso tomar consciência disso mais rápido, ou seja, acordar mais rápido. Um exemplo de sentimentos intensos neste inicio de ano, foram duas notícias da mesma pessoa, a triste, saiu de minha vida; a boa, retornou disposta a continuar me alimentando com seus contos.
Bloqueado, assim me sinto, uma espécie de dormência existencial, meu cérebro parece catatônico, minhas vontades já não possuem prioridade. Não olho mais para o relógio imenso na esquina do meu trabalho, ele nunca diz a hora que preciso, por ele minha vida é uma confusão de horários perdidos, amores perdidos, tempo perdido. Tempo perdido.
Meus Deus, ainda ontem escrevi neste blog sobre os girassóis na entrada desta lan que frequento, olho agora e estão todos morrendo, já sem a luz de Van Gogh, já sem vida. O tempo é implacável, é nosso verdadeiro dono, carrasco e é também nossa ama, nossa mãe e nos faz perceber que o agora é o mais importante, porque não importa masis o que passou e nem o que virá, pois não sei...mas o hoje, agora quando escrevo este post, isto é importante, diz o quanto estou vivo, o quanto eu existo.

ps. Tempo perdido foi a música que escolhi quando colei grau, sempre achei que cinco anos  naquela faculdade foi um tempo que não voltará jamais, e eu perdi muito tempo até admitir, que foram os cinco anos mais loucos e intensos na minha vida, onde amei pela última vez (taí o trauma - já superado até que enfim).

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

GUITARRA Y CANTO LIBRE

 

 

Semeadura

Vitor Ramil

Nós vamos prosseguir, companheiro
Medo não há
No rumo certo da estrada
Unidos vamos crescer e andar
Nós vamos repartir, companheiro
O campo e o mar
O pão da vida, meu braço, meu peito
Feito pra amar.
Americana Pátria, morena
Quiero tener
Guitarra y canto libre
En tu amanecer
No pampa, meu pala a voar
Esteira de vento e luar
Vento e luar
Nós vamos semear, companheiro
No coração
Manhãs e frutos e sonhos
Pr'um dia acabar com esta escuridão
Nós vamos preparar, companheiro
Sem ilusão
Um novo tempo, em que a paz e a fartura
Brotem das mãos
Americana Pátria, morena
Quiero tener
Guitarra y canto libre
En tu amanecer
No pampa, meu pala a voar
Esteira de vento e luar
Vento e luar
Minha guitarra, companheiro
Fala o idioma das águas, das pedras
Dos cárceres, do medo, do fogo, do sal
Minha guitarra
Tem os demônios da ternura e da tempestade
É como um cavalo
Que rasga o ventre da noite
Beija o relâmpago
E desafia os senhores da vida e da morte
Minha guitarra é minha terra, companheiro
É meu arado semeando na escuridão
Um tempo de claridade
Minha guitarra é meu povo, companheiro
Americana Pátria, morena
Quiero tener
Guitarra y canto libre
En tu amanecer
No pampa, meu pala a voar
Esteira de vento e luar
Vento e luar.