quinta-feira, 10 de outubro de 2013

AMOR E VIOLÊNCIA







Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
By Carlos Drummond de Andrade



Sim, meu coração está seco, não ama ninguém que eu quisesse devorar...até já amou um dia quando achava que era feliz e que o mundo era bom e não violento... Apesar da tarde arrastada, da falta de tempo para o trabalho, para a vida, aguarda-se ansioso o deslindar do processo de aumento de salário. A votação talvez demore, todos estão lá na frente da instituição que votará, menos eu, que aproveitei a saída de todos de casa para vir ao sótão e ficar sentado como estou agora, em posição de lótus, como se fosse meditar e apenas pego uma caixa empoeirada embaixo de alguns papéis soltos...abro a caixa e encontro uma carta, logo percebo que foi a última que recebi de um amor perdido, após dizer que não amava, embora existisse um sentimento muito puro entre nós, mas eu não queria seu corpo como querias o meu. Abrindo a carta para reler mais uma vez, recebo uma mensagem dizendo da possibilidade de não votarem meu aumento...


...blackblock – pensei neles quando soube que não votaram o mínimo reajuste que dariam para meu salário, não passa de 7% em 3 vezes, pensei neles, de quanto eu gostaria que eles estivessem lá, na votação, e com a negativa, uma manifestação em que eles atuariam, jogando o grande tijolo que senti vontade de jogar na instituição que não votou meu salário...quase entendi a necessidade da destruição para o renascimento, quanto ao anarquismo, não sei se eles falam em renascimento, eu só consigo ver a destruição total, por um motivo qualquer, e se tiver platéia, melhor será a atuação. Assim foi com os professores no RJ, ou qualquer outra manifestação que junte mais de 10 pessoas, tem um blackblock para incitar e praticar baderna, quebra-quebra, ou atitudes anarquistas, como preferem alguns. A violência não leva a nada, a não ser a mais violência, e agora voltaram a usar balas de borracha em manifestantes, logo serão balas de verdade, metralhadoras, fuzis, invasão de casas, pessoas sendo arrastadas para um local desconhecido, e provavelmente não voltarão nunca mais...

a carta:



Olá, espero que esta missiva te encontre bem, tão bem quanto me encontro, ou tento, agora que me sinto livre de ti. Meu coração deu sinais de salvação, não sangra mais, levemente dolorido. Mas agora começa a cicatrização, logo estarei melhor ainda........................Cansei de esperar o inesperado. Cansei de sonhar contigo e acordar chorando. Cancei de chorar...estou seco. Estou com raiva de mim. Tanto tempo perdido. Tanto amor desperdiçado. Não tenho mais esperança, ela foi....................Achava graça de todas tuas piadas sem graça, te protegia enquanto todos riam de ti...estive ao teu lado na tua mais profunda depressão.......................Perdi tanto tempo te olhando, admirando, te querendo, te esperando. Andava leve, quase flutuava, me sentia feliz (eu achava, eu achava)...................Os anos verdes foram negros, mas eu não conseguia ver, estava encantado com teus olhos. Tuas falas que ouvia como poesia, eram maldições, pragas e mal agouros. As migalhas que recebia, quando recebia, prar mim eram banquetes. Te esperava feliz, enquanto rias com os outros.......................Outro dia assistindo ao vídeo de nossa formatura, flagrei nosso abraço de comemoração, o brilho nos meus olhos eram lágrimas, um misto de felicidade e tristeza. Felicidade pela formatura e tristeza, porque não teria mais motivo para estar próximo de ti, embora naquele tempo já nem nos falávamos mais...anos e anos de isolamento do mundo e de todos, remoendo minha dor, meu fracasso de não conseguir te conquistar......................











quarta-feira, 9 de outubro de 2013

SINAIS DE FOGO





Sinais de Fogo
by Preta Gil, Ana Carolina Antonio Villeroy

Quando você me vê eu vejo acender
Outra vez aquela chama
Então pra que se esconder você deve saber
O quanto me ama...

Que distancia vai guardar nossa saudade
Que lugar vou te encontrar de novo
Fazer sinais de fogo
Pra você me ver...

Quando eu te vi, que te conheci
Não quis acreditar na solidão
E nem demais em nós dois
Pra não encanar...

Eu me arrumo, eu me enfeito, eu me ajeito
Eu interrogo meu espelho
Espelho que eu me olho
Pra você me ver...

Porque você não olha cara a cara
Fica nesse passa não passa
O que falta é coragem...
Foi atrás de mim na Guanabara
Eu te procurando pela Lapa
Nós perdemos a viagem...

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

MONÓLOGOS DA SOLIDÃO: PRIMAVERA


vulcão



*É sempre na sombra da madrugada

que bate a fome da palavra

é sempre ali no meio,

quase final da noite

quando impera

a solidão

é a hora dos gritos

é a hora da assombração...





Não é um canto de desesperança, palavra não tão bela quanto esperança, mas o signo temporal que atravessa segundas, fundindo-as nas sextas. É um canto de desamor, porque este como bem disse um poeta, é o que resta nos farelos de humanidade, que ainda existe no coração do homem moderno, bem, o moderno dele era 1776...deixei meus pudores e medos e vergonhas e caminhei por caminhos verdes, azuis e amarelos, encontrei amigos e inimigos, um longo aprendizado, não só com o que se diz, mas com o que nos chega, o que procuro ?

Como um Azimov às avessas, (...ás avessas é o nome de um blog que sigo), removo das entranhas de meus sonhos e pesadelos, e retorno antes e através do espelho, remontando as cavernas que hibernaram seres de antes de eu existir. Os que me brindaram com esta herança arquetípica, enraizada não só no sangue, mas no sangue do sangue, ou antes do sangue também. Só sei que não quero as modernices, nem partir daqui, apenas, quem sabe, por pena de um anjo caído, talvez...

*Eu perco a chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos, eu estou ao meio
Onde será que você está agora ?

...saí cantarolando como se dissesse adeus, vencido, mais uma perda, mas se não fosse Lya Lutf, com certeza seria bem pior, assim como essa música que cantarolo ao mesmo tempo que escrevo, tentando repetir um feito que para as mulheres é natural, fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, e bem. As mulheres, os pássaros e as árvores, são os seres mais poderosos que conheço, elas dão à luz a novos seres, eles voam, que é um poder muito poderoso, e as árvores podem crescer, crescer...

Mas estou em casa novamente, poderei trancar a porta e mergulhar no mundo que é só meu, onde eu tenho o poder supremo, onde respiro meu ar, como minha comida, tenho meu prazer e minha angústia, minha vida, minha morte. Meu blog do jair ou histórias de músicas e pessoas.




*by Anais – do blog Sozinha na Madrugada

**by Adriana Calcanhoto

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

ADEUS PRIMAVERA






DIZENDO ADEUS


Estou sempre dizendo adeus:
Também ao desencontro e do
desencanto.

Estou sempre me despedindo
Do ponto de partida que me lança de si,
Do ponto de chegada que nunca é
aqui.

Estou sempre dando adeus:
Até a Deus,
Para o reencontro em outra esquina
De adeuses.

Estarei sempre de partida,
Até o momento de sermos deuses:
Quando me fizeres dar adeus à solidão
e à sombra.

by Lya Luft


Embora nunca tenha planejado, conscientemente, algo para esta caminhada virtual, meu inconsciente me prega peças...e  a última não consigo me perdoar, então como um menino mal, devo ser castigado. Autoflagelo ? Talvez.  Adoro postar, quando acredito que seja algo legal, interessante ou supostamente criado por mim. Semana passada na pressa de postar um poema que encontrei e me apaixonei, e uma imagem encontrada no google imagens. Postei, e logo um comentário tipo: - já olhou o meu blog, fiz algo mais profundo que esta cópia. Já viu o filme?   já leu o livro ? - e foi isso " oi jair, esse poema é muito bom mesmo! viu o filme? comentei sobre ele no blog. aliás, obrigado pela visita ao raileronline! volte sempre!" - este o verdadeiro comentário.  Pode acreditar eu me odeio por isso, então passarei um mês sem postar no meu blog, 30 dias para refletir, ser açoitado também, me sinto um creep - verme.  Desculpem-me as pessoas muito legais que frequentam e passam por aqui.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

CREEP






Creep




When you were here before,

Couldn't look you in the eye.

You're just like an angel,

Your skin makes me cry.

You float like a feather,

In a beautiful world

I wish I was special,

You're so fucking special.



But I'm a creep, I'm a weirdo.

What the hell am I doing here?

I don't belong here.



I don't care if it hurts,

I wanna have control.

I want a perfect body,

I want a perfect soul.

I want you to notice,

When I'm not around.

You're so fucking special,

I wish I was special.



But I'm a creep, I'm a weirdo.

What the hell am I doing here?

I don't belong here



She's running out again,

She's running,

She run, run, run, run, run.



Whatever makes you happy,

Whatever you want.

You're so fucking special,

I wish I was special,



But I'm a creep, I'm a weirdo.

What the hell am I doing here?

I don't belong here,

I don't belong here

A ARTE DE PERDER







A arte de perder não é nenhum mistério
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.

Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente
Da viagem não feita. Nada disso é sério.

Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Perdi duas cidades lindas. E um  império
Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudades deles. Mas não é nada sério.

- Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério
por muito que pareça muito sério."

by Elizabeth Bishop

traduzida por: Paulo Hneriques Britto



quarta-feira, 4 de setembro de 2013

ENFIM, SETEMBRO...








 Precisei urgentemente escrever outro post, trazer um pouco de leveza a este blog tão pesado, como disse um amigo meu, depois de ler meu primeiro ano de blog, 'depois da leitura, só o suicídio', disse ele brincando, eu ri, minha alma não.


Já li e até comentei em alguns blogs o tema 'setembro', que lembra primavera, acasalamento (rs palavra engraçada, eu acho), pássaros cantando mais, pois onde eu moro eles cantam o ano inteiro – para quem gosta é um prato cheio, eu que tenho dificuldade para dormir, é um suplício. Mas assim como tenho um respeito maior pelas mulheres e seu poder de parir, eu respeito os pássaros, com seu poder de voar.

O aroma, setembro tem um aroma diferenciado, mesmo nesta cidade quase industrial, atravessada por uma BR. Senti hoje dentro do urbano, poderia ser um desses perfumes de flor ou fruta, muito na moda, mas vinha da janela aberta. Olhei mas não vi flores, somente aquele aroma embriagador da manhã, quase tive memórias, quase encarnei Proust, mas não haviam flores, somente árvores, verdes, belas, fortes, menos depois, quando já caminhando, passo onde havia uma mata, e hoje uma imensa construção de um condomínio. Sinal dos tempos, não, apenas mais uma construção, apenas mais uma mata destruída, apenas.

É urgente, que eu escreva um post, afinal é setembro, e setembro tem o dia da árvore, e setembro, tradicionalmente neste blog, se publica uma foto de minha árvore favorita de setembro e outros meses, o IPÊ AMARELO.