segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

ESCONDIDO ATRÁS DE MINHA VIDA

Meu psiquiatra morreu.
Ele que nunca me deixou morrer, sempre tinha uma palavra, senão amiga, de conforto, e alguns remédios que me deixavam leve na vida e com vontade viver, esquecendo a morte e quem eu era de verdade, um verme terráqueo. Ele morreu e nem me avisou, eu teria ido junto, sempre gostei de sua companhia. Meu psiquiatra morreu, e eu aqui, vivinho da silva e covardemente escondido atrás de minha vida, que baila ao sabor do vento e do tempo. Lembro da última vez que ele me içou do fundo do poço, já quase sem vida, sem ânimo, apenas me deixava ser levado pela morte, e ele não deixou, me salvou como um herói, que era. Agora, ao receber a notícia, algum tempo depois, apenas olho aqui do alto do prédio, e sinto uma vontade de falar com ele, basta me jogar...mas ele não ia gostar, e sempre fiz o que ele me disse, por isso ainda estou vivo…
Meu psiquiatra morreu.


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Kid Abelha - Nada Sei (apnéia)

Malhação




Nada sei dessa vida
Vivo sem saber
Nunca soube, nada saberei
Sigo sem saber

Que lugar me pertence
Que eu possa abandonar
Que lugar me contém
Que possa me parar

Sou errada, sou errante
Sempre na estrada

Sempre distante
Vou errando
Enquanto tempo me deixar
Errando enquanto tempo me deixar

Nada sei desse mar
Nado sem saber
De seus peixes, suas perdas
De seu não respirar

Nesse mar, em segundos
Insistem em naufragar
Esse mar me seduz
Mas é só prá me afogar




Post dedicado ao dr. Carlos Eduardo de Freitas Nascente

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