terça-feira, 19 de abril de 2011

SOBRE A ESTÉTICA DO FRIO



Estética do Frio, quando ouvi ou li a primeira vez sobre isso imaginei artes plásticas, com o frio, talvez usando a geada, a neve, o gelo como matéria prima, mas logo pude entender...foi através de um artista gaúcho, assim se chamam os que aqui nascem, Vítor Ramil, que amo e sou fã. Ele dizia que estava no Rio de Janeiro, eu acho, e que olhava o noticiário quando a homem ou mulher do tempo falou, o Brasil está pegando fogo, no Rio 40 graus, em Brasília39 graus, enquanto aqui no sul era um frio terrível...terminada a hora do tempo, nada falaram do frio que fazia aqui, como se esta parte do país não pertencesse ao país, que tem tamanho continental. Mais uma vez excluídos, assim como na música, que por sinal, não entendo porque não toma outros rumos. Ao invés de querer subir para Rio e São Paulo, deveríamos baixar para o Urugai, Argentina, convidar Santa Catarina (pois quero que minha poeta Rosana participe disso). Vítor Ramil musicou em portugues este belo poema e Jorge Luis Borges, uma bela milonga:

Manuel Flores va a morir,
eso es moneda corriente;
morir es una costumbre
que sabe tener la gente.

Y sin embargo me duele
decirle adiós a la vida,
esa cosa tan de siempre,
tan dulce y tan conocida.

Miro en el alba mis manos,
miro en las manos las venas;
con estrañeza las miro
como si fueran ajenas.

Vendrán los cuatro balazos
y con los cuatro el olvido;
lo dijo el sabio Merlín:
morir es haber nacido.

¡Cuánto cosa en su camino
estos ojos habrán visto!
Quién sabe lo que verán
después que me juzgue Cristo.

Manuel Flores va a morir,
eso es moneda corriente:
morir es una costumbre
que sabe tener la gente.

Não quero criar ou me posicionar pelo bairrismo, que exciste no mundo e aqui no meu país, mas um questionamento que me faço, porque gosto tanto de rock indie ingles, ou dos anos 80 (Smiths, Cure, Eco and the...Depeche Mode entre outros que ainda gosto), mas Charlie Garcia, Fito Paez, e o eterno Piazzola, com seu tango tradicional e progressivo...e os escritores então, Vargas Llosa (Nobel de Literatura),Garcia Marques (meu favorito). Tem coisa demais que ainda desconhecemos e que está aqui do lado, mas culturalmente nos ensinam que o inglês é o"canal" só que nas escolas mal nos ensinam as cores e os números até 10, enquanto que o espanhol, só se pagares curso particular. Hoje está programado para entrar no currículum ( é assim que se escreve) segundo a Secretaria de Educação
Tou um pouco nostálgico hoje, saudade do que não sei ainda, vontade de ser entendido e entender ( hoje pela manhã não conseguia entender meus colegas dialogando, parecia que era de outro mundo e que falava outra lingua). Mas tudo passa, até a uvapassa rsrsrsrs...(sempre que posso uso essa piada) Como diria Zeca Camargo, aquele, no seu blog:eu divago. Eu também, acho que este post é uma divagação inicvial, acredito que tenha mais em meu cérebro e coração, mas vou precisar de outro post, outro dia, outra vida quem sabe...

ps. a foto que uso é de outro artista gaúcho que gosto demais, Julio Reni, é a capa de um disco dele, sempre queis usar, taí...

terça-feira, 12 de abril de 2011

CARMENS II


"Sempre precisei de um pouco de atenção, acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto; e destes dias tão estranhos, fica poeira escondida pelos cantos, este é nosso mundo..."meu, teu, enfim, este é o mundo em que estamos, embora os preconceituosos de plantão não conseguirão separá-lo, pois seria o fim partir o mundo em dois, três...Tempos difícieis atravessamos, violência, muita violência, algo nunca visto aqui tão perto, e nossos filhos ? estarão bem na escola ? enquanto trabalhamos despreocupados com eles, só com o trabalho, e dependendo do trabalho o desgaste físico e emocional e cerebral podem ser fatais. Acordei vendo aquela poeira pelos cantos, na rua, no coletivo e infelizmente, no meu trabalho...mas quando tudo parece perdido acontece o milagre do milagre, o primeiro é ter nascido um novo dia, e o segundo é quando acontece o que não se espera (uma coisa boa, claro). Ontem foi um selo de meu querido amigo Edson Carmo que me presenteou (um presente, já que fiz aniversário sábado); hoje, quando paranóicamente percebia olhares indesejados por ter chegado atrasado, me passam uma ligação: - Sou eu, Carmem de Santa Cruz...
paralisei, e minha mente em segundos vagou por um mundo, uma época, uma cidade, uns amigos. Minha saudosa e mui querida amiga Carmen, querendo saber de mim...meu coração acelereou, enquanto nestes segundos vinha todo um mundo vivido numa época muito feliz de minha vida, naquela terra alemã. Mas como ia dizendo, não tava muito bem hoje, fui logo tomar um rivotrilzinho, poucas palavras, era horário de trabalho, e não consigo, embora seja público, talvez por isso, não consigo fazer corpo mole, tive de dizer que tinha de atender o balcão, ou fazer outra coisa de trabalho, e depois eu ligaria. Mas mesmo rápido já soube que a menininha que vi pulando pelo pátio, como uma pipoca (toda loirinha), está com 10 anos, lembro que ela era bem inteligente quando pitoquinha ainda. Soube notícias do pai dela, o sr, Helfer, digo, Lula, amigo muito querido, amigos que me aceitaram, que aceitei, que o destino conspirou para que nos encontrássemos naquela cidade onde era estranho. AMIGOS, está é a palavra, e para sempre...rimos muito, conversávamos muito, ouvir Lula tocar guitarra era um prazer inenarrável pra mim, que amo música, e ter alguém bem próximo dos meus olhos e ouvidos, é mágico...Não, não estou só, meu coração está cheio de pessoas que me querem, como as quero, e nada, nem o tempo faz que desapareça a esperança de que o mundo tem jeito, que a violência vai passar e que seremos feizes novamente, e vamos rir de tudo isso, que foi uma grabnde peça pregada por Deus, para depois nos dizer que o paraíso é aqui, e não o que pensávamos...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

POSSO ABRIR ALGUMAS PORTAS

by Rosana Souza


Viver é todo dia partejar
a vida.
(Ela nasce com cabeça grande demais,
muitos braços
- às vezes sem pernas.)
Abro meu ventre,
minha alma se arreganha
como uma parturiente
em sofrimento.
Dar à lua dói.
Faço isso todos os dias,
exposto como num palco:
aquele bonequinho
sou eu
num mundo que vou montando.

Mas nem tudo me assusta,
nem tudo me prende:
posso abrir algumas portas,
posso fechar outras, posso
escolher o sexo
e a cor dos olhos de cada momento.

Lyz Luft - Múltiplas Escolhas

É público e notório o amor que tenho por esta mulher, Lya Luft, e este poema, acredito que resume um pouco, ou tudo, o que passei e passo (estou no inferno astral)neste simbólicos três últimos dias. Meu pai, minha mãe, meus amigos reais/vituais, meu trabalho, e, o milagre da VIDA toda manhã.

ps. Entrelaças teus braços em meus abraços, confunda tuas raízes com as minhas, vivemos então de dois em um, fortes cresceremos, nossos filhos, nossos frutos, a VIDA explodindo por todos os poros, toda fotossíntese. Bela foto, né ?

segunda-feira, 28 de março de 2011

INVENTEMOS UMA NOVA PASSAGEM

by Rosana Souza

O VENTO QUE PENETRA

O vento afasta as nuvens
e claridade retorna. Quando
a julgamento é lúcido, as
dúvidas desaparecem.

I Ching

Foram três dias horríveis, relato o terceiro e último desta catástrofe que é minha vida. De tudo o que sempre preservei e preservo é minha família, meu pai e minha mãe (meus irmãos sabem se virar) e meu trabalho, que é meu ganha pão, o motivo, junto de meus pais de eue ainda estar aqui. Tenho amigos da boglosfera bem fiéis, que cobram mesmo, e de alguma forma meu surto de três dias ficou meio suspenso, se não fosse assim, não seria eu, talvez um outro eu do momento...Viva Fernando Pessoa.
Às vezes não se pode lutar contra, mesmo aquelas coisas que somos contra, então, nos unimos, foi o que fiz, e para minha surpresa funcionou muito mais rápido que da outra forma, meu inimigo que está no poder rsrsrsrsrs...isso é Cazuza, ajudou-me, claro que não falou comigo, como eu fiz ao fazer tal pedido, limitou-se a mandar uma mensagensinha eletrônica, poupou-me de ter de ouvir sua voz. Sempre tento, usar metáforas, imagens poéticas (no que não sou bom, como minha amiga RosanAzul, minha poetinha), então boa parte disso tudo é mentira, ou história para ter o que por no blog.
Joguei o I Ching e O Vento Que Penetra é o hexagrama 57, o que é muito generoso para o que eu perguntei "As forças do mal se dispersam, como as nuvens empurradas pelo vento", isso acalmou minha alma, pois acabo de dar um salto no escuro, estou fechando um ciclo, para abrir outro, fugir não adianta, ficar muito menos...sou assim, reconheço, sei de minhas limitações e minhas neuras, embora não seja um neurótico, lendo Jung encontrei algumas definições no livro Tipos Psicológicos, e não sou um neurótico, apenas problemático "O Sucesso está no esforço constante, orientado numa única direção". E Deus me proteja.

quinta-feira, 24 de março de 2011

BEIJOS SEM FIM E SEM CALENDÁRIO II

by Anaís

A FORÇA DO FRACO.


A paciência, a tolerância
e a flexibilidade
são as armas do momento.
Faltando energia,
é melhor se ocupar de coisas menores.
I Ching


Es ahora un globo escuro que dilata las paredes de cristal*, é um salto no escuro, como naqueles sonhos em que não caímos nunca, ficando suspenso no ar, no nada, a sensação é de queda, mas ao mesmo tempo de liberdade. Às vezes, precisa-se cair para levantar, mesmo com os joelhos ralados, deve-se seguir, pois sempre foi assim...assim chegamos neste século, vindo das cavernas, e vivendo hoje, praticamente como nossos antepassados, em cavernas, rodeadas de grades. Também temos filhos, e os estragamos, na melhor das intenções, mas nós mesmos não dizemos que o inferno esta cheio de intenções. Céu, preciso falar de céu agora, é uma palavra boa, melhor que os quintos...
Lentamente, como El Bolero de Ravel, inicio mais uma vez o redesenho de meu caminho, com medo, muito medo, mas o medo faz parte, e com medo, serei um alvo mais difícil, pois tou atento. Como diz Lya Luft, toda mudança cobra um alto preço emocional, mas estou disposto a pagar.

(...)No 2º Dia só ouvi sua voz, pois sendo o favorito, precisa fazer seu trabalho: adorar seu protetor, pisar nos humildes, ostentar suas aventuras amorosas ou não, mas com a soberba de sempre...dos sete pecados capitais o que mais poderia se aproximar de ti é a vaidade, incrivel como este corpo flácido e branco e grande, toma proporções arrasadoras, sai da frente senão soterras...e assim passavam os dias. Chega de ouvir Bolero de Ravel e Nara Leão, que coisa chata - me jogou na cara, então disse: perguntou-me o que eu queria ouvir, não é ? pois bem, conte-me quem és na realidade, que mal eu fiz para virar-te contra mim desta maneira ? - então inciou a falar(...)
perdão, continuarei em outro post, ainda não sei se estou disposto a ouvir o que F. tem a me dizer.

*-secretos (IV) Rayuela

Ouço repetidas vezes o cd 100 anos de Noel Rosa, quanta poesia, quanta melodia, sambas celestiais, e palavras, palavras, as mais doces e amargas palavras, palavras...ele morreu tão jovem, e deixou um legado grandioso em quantidade e qualidade, morreu aos 26 anos (eu acho), e absurdamente romântico.

ADEUS

Adeus! Adeus! Adeus!
Palavra que faz chorar
Adeus! Adeus! Adeus!
Não há quem possa suportar

O adeus é tão triste
E não se resiste
Ninguém jamais com adeus pode viver em paz

Pra que foste embora?
Por ti, tudo chora!
Sem teu amor esta vida não tem mais valor.
Noel Rosa/Francisco Alves
cantado por Toquinho e Vinicius de Moraes é perfeito.

segunda-feira, 21 de março de 2011

NUM REPENTE DE LUZ E TEZ


(...) Como um Bolero de Ravel, disse F., lentamente, minimalista mesmo, mas pulsando. Fraco mas respirando. Mais profundamente e a cada instante e mais mais mais(...) De onde estava apenas observei, continuou (...) A vida não começa lenta assim, o gozo, o parto, tudo é traumatizante, ou quase..Tá mais para para o final apoteótico do Bolero, claro. O fim do Bolero é o começo ou recomeço. Porque o amor é o começo. Lentamente, imperceptível. Não, mas daí pula para o fim, a tempestade, a escuridão clara. A cegueira que vê. Mas a vida é o Bolero do começo ao fim. Desculpa, não é isso que queres ouvir, né? Onde andei. Com quem. O que fiz. Não precisa baixar a cabeça, só tou tentando entender o que queres que eu diga(...)

Neste final de semana, entre um sono e outro assisti um programa de tv que apareceu Maria Bethânia, que para mim transcende uma cantora, acho ela uma entidade que encarnou aqui neste planeta para cantar, e recitar poemas. Sua dignidade está além da realeza,sua simplicidade é de cortar a alma, de pés descalços, cabelos longos, dignamente envelhecidos e a anfitriã deste programa Regina Casé é outra entidade em forma de gente, o programa parece uma bagunça, muito samba, mas é encantador, acho que nunca antes na história deste país ouve um programa de auditório em que metade das pessoas é negra...engraçado, mas é verdade quando digo que pela primeira vez em minha vida me vejo na televisão, pois parece que aqui no Brasil só tem branco, mas enfim...como falei, entre um sono e outro...

VERSO CURTO

angústia naõ corre
pula

e a gula engole
a dor duma vez

ou risada sem
pavio
a barragem do rio
explode
num repente de luz
e tez.

CUTI do livro NEGROESIA, Antologia Poética

quarta-feira, 16 de março de 2011

PARA SEMPRE CAIO FERNANDO ABREU




DIÁLOGO
Caio Fernando Abreu

A: Você é meu companheiro.
B: Hein?
A: Você é meu companheiro, eu disse
B: O quê?
A: Eu disse que você é meu companheiro.
B: O que é que você quer dizer com isso?
A: Eu quero dizer que você é meu companheiro, Só isso.
B: Tem alguma coisa atrás, eu sinto.
A: Não. Não tem nada. Deixa de ser paranóico.
B: Não é disso que estou falando.
A: Você está falando do quê, então?
B: Estou falando disso que você falou agora.
A: Ah, sei. Que eu sou teu companheiro.
B: Não, não foi assim: que eu sou teu companheiro.
A: Você também sente?
B: O quê?
A: Que você é meu companheiro?
B: Não me confunda. Tem alguma coisa atrás, eu sei.
A: Atrás do companheiro?
B: È.
A: Não.
B: Você não sente?
A: Que você é meu companheiro? Sinto, sim. Claro que eu sinto. E você, não?
B: Não. Não é isso. Não é assim.
A: Você não quer que seja isso assim?
B: Não é que eu não queira: é que não é.
A: Não me confunda, por favor, não me confunda. No começo era claro.
B: Agora não?
A: Agora sim. Você quer?
B: O quê?
A: Ser meu companheiro.
B: Ser teu companheiro?
A: È.
B: Companheiro?
A: Sim.
B: Eu não sei. Por favor não me confunda. No começo era claro. Tem alguma coisa atrás, voc~e não vê?
A: eu vejo. Eu quero.
B: O quê?
A: Que você seja meu companheiro.
B: Hein?
A: Eu quero que você seja meu companheiro, eu disse.
B: O quê?
A: Eu disse que eu quero que você seja meu companheiro.
B: Você disse?
A: Eu disse?
B: Não, não foi assim: eu disse.
A: O quê?
B: Você é meu companheiro.
A: Hein?
(ad infinitum)

(In Morangos Mofados)