Não
havia mais ninguém, a praça encontrava-se vazia, não
houveram aplausos, nem pedidos de bis. Na madrugada que amanhecia,
conseguia ver uma Lua que enfrentava um Sol nascente, não
querendo ir embora...mas todos já desistiram, e a Lua
desapareceu na luz solar. Restos de uma grande festa ou batalha,
divide espaço com ele e o vazio da praça. Nem sempre os
anjos da guarda estão de guarda, e é justo nestes
instantes, que desorientados, nos entregamos a esta orgia desenfreada
por sexo, dinheiro e poder. A ordem certa é o poder vir
primeiro. Caminha tropego pelas calçadas inundas, pára
na frente de uma loja em que os televisores estão ligados, e
se fixa numa tela, que contava a história de um país
distante, em que o povo vivia dentro de uma guerra, sem participar,
apenas serviam de escudo humano. Uma fumaça negra que mudava
ao sabor do vento, onde então podia-se ver crianças
mostrando as mãos sujas de óleo ou petróleo ou
sangue, e juntos mostravam dificuldade de respirar, e uma tosse de
moribundo. Pensou, olhando aquela cena, e vendo a praça
vazia e imunda, até gostou de ver o que via. Quando volta
olhar a televisão, as crianças sumiram mais uma vez no
meio da fumaça. Não havia mais ninguém.
terça-feira, 22 de novembro de 2016
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Limerique
ResponderExcluirUm grande mistério se encerra
No embate da sangrenta guerra
Frágeis, voláteis
Macias e táteis
Flores inocentes nascem da terra.
Meu senhor de todas as palavras, Jair Lopes, às vezes precisamos colocar os pés no chão e dar uma olhada em volta, pelo mundo, temos teto, comida, família e às vezes ainda não estamos satisfeitos, se olharmos com um pouquinho mais de compaixão, então entenderemos o que o outro passa, e ainda estamos vendo só pela televisão, até quando ? até cair uma bomba em nossas casas...meu querido amigo, trazes teu dom até mim e fico feliz por isso, existe uma boa parte do mundo que pede paz, como nós. Carinho respeito e abraço.
ExcluirTudo, num cenário desolador...
ResponderExcluirExcelente texto.
Abraço
Obrigado meu caro amigo, mas é tão dolorido e é tão verdadeiro o que crio nesta ficção que dá medo. O cenário não podia ser pior, e quando se vê pela televisão é que vemos o pior e sujo e sangrento cenário. Que Deus tenha piedade das crianças e famílias de bem no Iraque. Sempre uma felicidade te encontrar por aqui. Carinho respeito e abraço.
ExcluirQue narrativa, meu amigo!! É filme de terror o que estamos assistindo... Até quando assistiremos essa história verídica, e que tem nossa participação como vitimados? Não sei. Só sei que passam os meses, os anos, e ficamos perplexos - no grau máximo.
ResponderExcluirUma mistura de medo real com pesadelos. Sim, creio que estamos já adoentados...Não há como não Todos pensamos a mesma coisa, nada é segredo. Tranquilidade não temos mais; sair à noite não faz parte dos meus planos e de milhões de pessoas. Mas há uma reação da sociedade, pelo menos não há acomodação geral. Aí soma-se isso tudo, com mais problemas particulares que faz parte dos humanos. E daí, como se faz?
Estamos acostumando com a instabilidade? Já faz parte dos nossos dias?
Grande abraço, meu amigo. Melhoras pra nós!
Minha querida amiga Tais, eu vi num telejornal crianças mostrando as mãos sujas de óleo/petróleo, e uma fumaceira, quando explicaram que haviam colocado fogo de propósito, para dificultar que os aviões contra o E.I., mas as pessoas, as criança...acho que eu preciso de choques para começar a escrever, ontem estava injuriado, mas estava vivo, olho o céu, a terra, ligo para minha mãe e ouço ao fundo longe o latido do Teimoso, que é proibido de entrar dentro de casa quando não estou (tadinho do meu caramelo baixinho)... "Uma mistura de medo real com pesadelos. Sim, creio que estamos já adoentados". Tenho medo também, muito mais de nos acostumarmos com isso. Tenho medo que a morte se torne banal, o que parece que está ocorrendo e não está lá no Oriente, está aqui, do nosso lado. O que será dos filhos, dos netos...o que será o amanhã, diante de tanto sangue jorrado no chão. Dias duros nos esperam querida amiga, mas não perdemos a fé e assim, rezando afastamos este mal de nossos dias, só Deus, só Deus.
ExcluirObrigado minha amiga pelo carinho com este blogueiro, por estar solidária com a relação minha e da minha mãe. Elas me parece forte, mas vamos seguindo como Deus permite. Sempre muito feliz com tuas palavras aqui, pertinho de mim, no meu querido bloguinho. Carinho respeito e abraço.