Ad
infinitum...ao que parece nossa triste situação
política do país, só morrerá quando não
houver mais pedra sobre pedra, ou melhor, esta geração
de políticos podres e corruptos não serem mais votados
pelo pobre povo ignorante do Brasil. Incertos destinos e certos,
talvez, determinados fins, de final. Mas eu sempre lembro do
Collor, foi dado impeachment, e ele retornou nos braços do
povo para o Senado. Não temos memória. Não temos
respeito. Não temos compaixão. O lucro é tudo
que se quer e se consegue das piores maneiras, como estamos vendo o
que está acontecendo com nosso país. E no meio de tudo
isso, meu grito de socorro é sufocado e minha mãe pode
voltar para as trevas da catarata. E eu me perder dentro de mim...Era
muita catarata, o sucesso da operação sucumbe no olho
machucado. Outro olho, outra técnica, outra e última
oportunidade de abrir uma brecha para a visão de minha mãe.
Pedir a Deus ? Vender minha alma ao Demônio ? Não
suportarei minha mãe cega, nos poucos anos que lhe restam de
vida. Em minha família morremos cedo. Mas eu morreria sem ela
e não suportaria a escuridão de seu olhar...pensar,
sempre há uma saída, mas tem de ser rápido,
senão a escuridão não terá mais volta, ad
infinitum...
quinta-feira, 18 de maio de 2017
terça-feira, 16 de maio de 2017
IDEOLOGIA, EU QUERO UMA PRA VIVER
IDEOLOGIA
Meu partido
É um coração partido
E as ilusões estão todas perdidas
Os meus sonhos foram todos vendidos
Tão barato que eu nem acredito
Eu nem acredito
Que aquele garoto que ia mudar o mundo
(Mudar o mundo)
Frequenta agora as festas do "Grand Monde"
Meu partido
É um coração partido
E as ilusões estão todas perdidas
Os meus sonhos foram todos vendidos
Tão barato que eu nem acredito
Eu nem acredito
Que aquele garoto que ia mudar o mundo
(Mudar o mundo)
Frequenta agora as festas do "Grand Monde"
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver
O meu prazer
Agora é risco de vida
Meu sex and drugs não tem nenhum rock 'n' roll
Eu vou pagar a conta do analista
Pra nunca mais ter que saber quem eu sou
Pois aquele garoto que ia mudar o mundo
(Mudar o mundo)
Agora assiste a tudo em cima do muro
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver
O meu prazer
Agora é risco de vida
Meu sex and drugs não tem nenhum rock 'n' roll
Eu vou pagar a conta do analista
Pra nunca mais ter que saber quem eu sou
Pois aquele garoto que ia mudar o mundo
(Mudar o mundo)
Agora assiste a tudo em cima do muro
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver
by Cazuza
ps. Toda manhã peço a Deus que afaste de mim este grito da morte me chamando, sempre depois de 40 degraus...sempre tenho vontade de morrer quando subo, quando desço...ainda bem que tenho Deus em mim. Eu era jovem e amava o Cazuza quando ele partiu, ainda hoje guardo uma imensa saudade. Não é todo dia que um anjo torto em forma de gente, nos dá o prazer de viver no nosso tempo. Eu vivi o tempo de Cazuza, sinto falta, assim como já sinto falta do Belchior. No momento apenas preciso de uma ideologia, que recomece a me ensinar a viver e não desejar a morte, só se ela for silenciosa e não deixar eu ver ela me levar.
O dia se faz lindo hoje, não é um bom dia para morrer, seria um bom dia para amar, se o amor fosse possível. Tempo bom para esquecer, caminhar sem destino, parar e observar o mundo como ele é, egoísta, mal, triste...mas nada que um dia de Sol para aquecer e alegrar um coração triste.
quinta-feira, 11 de maio de 2017
CONEXÕES PERDIDAS
Somos
tão distantes uns dos outros, inventamos caminhos distraídos.
Conexões perdidas entre as raízes das árvores.
Sim, elas se comunicam, agora eu sei, e “só as árvores
são naturais, o resto é fruto da mente do homem”.
Comecei assim minha caminhada, de árvore em árvore. No
início eram brincadeiras, balanços, navios e naves
espaciais. Depois o entrincheiramento, a fuga e o
esconderijo...sobre árvores brinquei minha infância, no
alto, distante de quase todos, existiam os meninos perdidos, que
sempre estavam sobre árvores, e por vezes, os encontrei e
brinquei, mas distantes uns dos outros. Corpos estranhos em lugar
comum a todos. Não adianta uma multidão, se te sentes
só.
Como diz aquela canção de um suicida: “quando a
rotina pesada e as ambições são pequenas, e o
ressentimento voa alto, mas as emoções não
crescem. E estamos mudando nossos caminhos, pegando estradas
diferentes”. Somos tão distantes e estranhos uns aos outros.
Inventamos caminhos de amor e morte e desculpas para não olhar
nos olhos. Negamos respostas que se encontram dentro de nós,
mas não sentimos nem vemos. Seguimos caminhos entre
árvores, que se colocam lado a lado, em pares, unidas pelas
raízes do amor eterno, e resistem ao tempo e as tempestades,
aos raios que teimam em se atrair por elas, matando uma, morre de
amor a outra. Menos oxigênio, pouco a pouco, pois nossas
conexões não são fiéis como as árvores,
e apesar do tempo gasto entre nós, estranhos e
individualistas, nada mudará este estado, esta forma de viver.
Somos tão distantes e estranhos uns dos outros.
"When routine bites hard and ambitions are low
and resentment rides high but emotions won't grow
And we're changing our ways
taking different roads"
by Joy Division
terça-feira, 9 de maio de 2017
NÃO SEI QUANTAS ALMAS TENHO
"Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana.
Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso." by Fernando Pessoa
Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso." by Fernando Pessoa
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu
by Fernando Pessoa
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu
by Fernando Pessoa
sexta-feira, 5 de maio de 2017
QUEM TEM MEDO DE ROBÔ MAL ?
Estava
eu atarefado com minhas coisas de trabalho, em uma manhã de
raro Sol sereno, uma leve brisa, um dia perfeito de um bom Outono.
Tenho quarenta degraus para encarar toda manhã, que faz parte
de minhas funções, uma espécie de arauto do
apocalipse, saio pelo prédio a entregar material de
expediente, cartas, oficios, requerimentos, enfim, um traço da
tecnocracia, uma burocracia louca e destruidora que nós seres
humanos criamos, agora comandados pelo mundo virtual. Que chega
contudo, oferecendo as mais incríveis possibilidades virtuais.
Chega de papel ( as árvores agradecem). Chega de seres
humanos, afinal os computadores estão sendo aperfeiçoados
para nos substituir. Como vivemos praticamente na barbárie,
onde a política suja o pouco que resta de dignidade do povo
brasileiro. Mas não podemos reagir, afinal as leis estão
aí para proteger o cidade e a sociedade, a busca da paz
social. E não é o que vivemos hoje, nosso país,
nossas cidades frequentam os piores ranks na violência, matança
nos presídios, gays são mortos assim, simplesmente. E
da saúde, a saúde não existe mais, estamos todos
doentes. Mas nossos filhos estão viciados nesta nova onda. A
virtualidade. Mas quem disse que é para o nosso bem as
máquinas criadas pelo próprio homem. Não é
de se admirar, se nos matamos com tanta facilidade e por nada.
Respeito ? Palavra banida de nosso dicionário. E no redemoinho
desses pensamentos, percebo uma movimentação no castelo
onde trabalho, os lugares de repente, estavam vazios ou um e outro,
trabalhando maquinalmente. Um curso para aperfeiçoar e
implantar um novo sistema altamente virtual, o futuro chegando a
galope nestes pampas. Foi então que percebi, sou carta fora do
baralho, meu trabalho não carece aperfeiçoamento, já
posso ser descartado, assim como fiz concurso para entrar, mas
como o que faço um robô fará, não existe
mais a necessidade de minha presença. Socialmente senti-me
excluído por não ser chamado, assim como todo mundo que
precisar deste serviço. Ou manobras um robô ou desiste e
fuja para o campo, o mato, longe, longe de tudo aqui. Até que
os robôs deem falta e começam a seguir, numa louca
caçada, aos seres humanos. Enquanto isso, tomo meu chá,
fico em silêncio, esperando o momento em que serei chamado,
para dizerem que não precisam mais de meu serviço.
quinta-feira, 4 de maio de 2017
VAMOS PARA NOSSA CASA
A
espera tornou-se sem expectativa, mesmo caminhando por toda a praça,
contando cada árvore, examinando os brinquedos, sentando em
todos os bancos, e sua esperança começa a partir. Todas
as palavras ditas, mal ditas, e mal interpretadas. Fecha os olhos e
só consegue lembrar dos gritos, pratos sendo quebrados. Susto.
Houve-se em bater de porta, de passos pelos corredores e escada
abaixo, já que o elevador deixou de funcionar, e ninguém,
nem o síndico resolve este problema. Mas agora os passos saem
pela porta do prédio, uma dúvida, esquerda ou direita?
Olhou para o céu e viu nuvens passando apressadas, algumas
juntando-se e formando uma nuvem maior...segue pela direita pois o
final da rua termina em uma praça. Seu lugar favorito do
mundo, e do outro também. As relações nos dias
de hoje, disse o avô de um deles, são frágeis
porque falta verdade no sentimento. É tão fácil
abraçar, beijar e transar, mas conviver junto em harmonia e
respeito, poucos conseguem, sem falar nos casais com anos de
casamento, mas são dois estranhos dormindo na mesma cama.
Ficou ali, sentado no último banco, sob a sombra de uma imensa
seringueira, com suas raízes expostas, formando um belo
labirinto de caules, como o labirinto de seu coração, e
talvez do outro também. Distraído de baixo da árvore,
não percebeu que chegava uma chuva de verão. E antes
que pudesse reagir, correr, falar , estava em pé, na sua
frente, com o enorme guarda-chuva que compraram por brincadeira, era
tão grande que parecia lona de circo. Agora, frente a frente,
não conseguia sair dali, foi quando puxado pelo braço,
ouviu: vamos para nossa casa...
quarta-feira, 3 de maio de 2017
BELCHIOR
“Eu
sou apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco e vindo
interior”...foi quando descobri Belchior já no inicio dos
anos 80 (que saudade musical) . Aos sábados me reunia com
amigos na casa do Jaca, o amigo que me apresentou Belchior. Eram
discos, com as letras dentro da capa. Lembro de ter quase
enlouquecido com a poesia dele. Já naquela época
gostava de rabiscar, poemas, textos que se perderam nas mudanças.
O que havia encontrado naquele cantor bigodudo era muito mais do
que imaginava minha vã filosofia. Foi um situar-me no mundo, o
que estou fazendo, e como fazer. Ainda vivia na ditadura militar, e
as letras de Belchior me davam sinais, me mostravam caminhos, que
hoje entendo melhor. Sempre gostei de música, desde o ventre
rs e quando vivendo aqui neste planetinha, muito menino descobri a
poesia, mas nada que fizesse muito sentido, até encontrar
Belchior, eu, um rapaz latino americano sem dinheiro no banco,
começava a ver com outros olhos, outra mente, outra postura
com relação ao mundo que me rodeava, e nem sempre
conseguia acompanhar. E sem dinheiro no banco e a inexistência
da internet, restava-me muito pouco. Então devorei a
biblioteca pública e ia me alimentado de palavras, com a
música do Belchior sempre me acompanhando. Foi minha trilha
sonora. Passei a ter um posicionamento político contra a
ditadura que já dava sinais de cansaço. Pensei em
postar junto uma letra de música dele, mas já o fiz
em outras oportunidades no meu blog, então me limitarei a
prestar esta singela homenagem ao artista que mexeu para sempre com
minha mente, meus sentidos, minha vida...pois continuo latino
americano sem dinheiro no banco, nem parente importante, e vivendo no
interior.
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