terça-feira, 23 de maio de 2017

MUITA SAÚVA E POUCA SAÚDE


Muita saúva e pouca saúde, os males do Brasil são. Ficava ecoando esta frase em sua cabeça, careca sem saber se pelo tempo ou pela máquina que diariamente durante os últimos 30 anos vinha fazendo. Sem errar um dia, todos os dias, todos os santos dias, como costumava dizer seu avô quando dormia com ele, e ele tinha de acordar. Fecha os olhos e sente uma daquelas tantas manhãs das férias em que o dia inteiro era só deles dois. Acorda desse delírio com os berros da televisão mostrando os últimos cálculos de um grande rombo na contabilidade do país, muito são os suspeitos e muitas são as provas e muitas são as defesas. Mais um roubo sem solução, sem ressarcimento aos cofres públicos, e todos, todos, inclusive ele que parou para ver a notícia sofreriam as consequências, e repetiu para si: muita saúva e pouca saúde, os males do Brasil são. Um par de olhos salta pela janela do apartamento para verificar se o dia oferece condições para uma caminhada. Lento outono. Já na calçada ouve a sirene da ambulância que chega a toda velocidade no hospital que é seu vizinho, assiste a cena incrédula, mas não seria a primeira, nem seria a última, o hospital de pronto socorro é seu vizinho, e apesar de ser um ótimo hospital, já não dá mais vazão, já não é só a ambulância, são ordas de mal trapilhos, doentes, gemendo pela rua, quase tornou impossível de caminhar, volta para casa. Muita saúva e pouca saúde, os males do Brasil são. Desligou a televisão. Pensou em caminhar, mas isso implica em sair para rua, o que não é recomendável, assaltos a qualquer lugar, como se não bastasse nossos governantes, pensou. Voltou para a cozinha e fez pipoca, sentou-se próximo da janela, onde observava ao longe o hospital de pronto socorro, que possuía um imenso prédio bem próximo, lá do morro podia até perceber e sentir, sentia pena de quem morasse próximo desse hospital, talvez tivesse a mesma visão que tem ali naquela favela, pobreza humana. ps.MacunaímaTaisLusoMariodeAndradeBrasilsaúdehospitalteleviãotelejornalcompaixãoamor

segunda-feira, 22 de maio de 2017

8 ANOS NA BLOGOSFERA


Imagem relacionada


Conheço um menino chamado Isaac que tem a idade de meu blog, nasceu no dia do primeiro post que escrevi, 20 de maio, há 8 anos atrás...escrevo para meu presente, quem sabe deixar um legado ou besteirol que poderia ser descoberto num futuro, por um eu de outro tempo...conjeturas...como diz meu amigo Vitorio Nani, poderíamos nos tornar eternos no mundo virtual. Escrevo há muito tempo, escritos perdidos. Mas há 8 anos escrevo aqui , muita coisa autoral,poemas, letras de músicas, trechos que me apetecem; também já defini meu blog como terápico, poético, diário (como se fosse possível um diário na internet), enfim...escrevo o que me aflige dando um toque dramático, poético, metafórico, e sempre tenho sorte, um comentário faz um blogueiro feliz, uma das coisas que li quando comecei a navegar pela blogosfera, e eu fico. Mas não sei que rumo tomar,, mas estou mais organizado que meu país, que virou uma quadrilha nacional oficial que comanda ou descomanda o Brasil , comprovando que no Brasil só o crime é organizado. Penso também em abolir os comentário, para não ter de sofrer em ver um post só, perdido no mundo virtual, sem um oi, mas faz parte, não se pode ter tudo, já devo agradecer por ter um blog e expressar o que sinto através da escrita. Sou mórbido, tenho consciência, mas sou alegre também, trago tristezas na alma, mas meu coração está repleto de sorrisos. Meu blog anda entre altos e baixos, mais baixos que, mas daí a amiga Tais me acorda, trás palavras, ela lida bem com elas, que me fazem reagir, perceber o ser humano que sou, porque às vezes eu escrevo e não fica muito claro o que quis dizer, mas daí vem meu xará Jair Cordeiro Lopes e poeticamente relê nas minhas entrelinhas o que estava sentindo e não conseguia definir . Em 8 anos conheci tantos blogs e blogueiros, uns mais, outros nem tanto, mas existe um respeito mútuo, que é o que mantém a vida tranquila entre blogs e blogueiros. Alguém tem de dar o exemplo de paz para o mundo. Aqui aprendi a gostar de pessoas que não foram materializadas para mim, mas o gostar, o sentimento existe, e como no mundo real, sinto muita saudade também, mas entendo, seguimos caminhos, nossos caminhos, por vezes se cruzam, por vezes não. Só sei que escreverei enquanto estiver vivo, agora que já fiz 50 anos, penso estar no lucro, meus órgãos vitais já não são os mesmos, e meu coração dá sinal de cansaço, por amar demais e não ser amado, de correr demais e agora estar cansado. Meu coração bate ao ritmo do de minha mãe...e o menino Isaac cresce, está sendo alfabetizado, gosta de jogar capoeira, uma criança que brinca e se entrega a vida, a sua longa vida que tem pela frente.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

OLHAR CEGO


Imagem relacionada

Ad infinitum...ao que parece nossa triste situação política do país, só morrerá quando não houver mais pedra sobre pedra, ou melhor, esta geração de políticos podres e corruptos não serem mais votados pelo pobre povo ignorante do Brasil. Incertos destinos e certos, talvez, determinados fins, de final. Mas eu sempre lembro do Collor, foi dado impeachment, e ele retornou nos braços do povo para o Senado. Não temos memória. Não temos respeito. Não temos compaixão. O lucro é tudo que se quer e se consegue das piores maneiras, como estamos vendo o que está acontecendo com nosso país. E no meio de tudo isso, meu grito de socorro é sufocado e minha mãe pode voltar para as trevas da catarata. E eu me perder dentro de mim...Era muita catarata, o sucesso da operação sucumbe no olho machucado. Outro olho, outra técnica, outra e última oportunidade de abrir uma brecha para a visão de minha mãe. Pedir a Deus ? Vender minha alma ao Demônio ? Não suportarei minha mãe cega, nos poucos anos que lhe restam de vida. Em minha família morremos cedo. Mas eu morreria sem ela e não suportaria a escuridão de seu olhar...pensar, sempre há uma saída, mas tem de ser rápido, senão a escuridão não terá mais volta, ad infinitum...

terça-feira, 16 de maio de 2017

IDEOLOGIA, EU QUERO UMA PRA VIVER


Imagem relacionada
Cazuza


IDEOLOGIA


Meu partido
É um coração partido
E as ilusões estão todas perdidas
Os meus sonhos foram todos vendidos
Tão barato que eu nem acredito
Eu nem acredito
Que aquele garoto que ia mudar o mundo
(Mudar o mundo)
Frequenta agora as festas do "Grand Monde"

Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver

O meu prazer
Agora é risco de vida
Meu sex and drugs não tem nenhum rock 'n' roll
Eu vou pagar a conta do analista
Pra nunca mais ter que saber quem eu sou
Pois aquele garoto que ia mudar o mundo
(Mudar o mundo)
Agora assiste a tudo em cima do muro

Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver


by Cazuza


ps. Toda manhã peço a Deus que afaste de mim este grito da morte me chamando, sempre depois de 40 degraus...sempre tenho vontade de morrer quando subo, quando desço...ainda bem que tenho Deus em mim. Eu era jovem e amava o Cazuza quando ele partiu, ainda hoje guardo uma imensa saudade. Não é todo  dia que um anjo torto em forma de gente, nos dá o prazer de viver no nosso tempo. Eu vivi o tempo de Cazuza, sinto falta, assim como  já  sinto falta do Belchior. No momento apenas preciso de uma ideologia, que recomece a me ensinar a viver e não desejar a morte, só se ela  for    silenciosa e não deixar  eu ver ela me levar.
O dia se faz lindo hoje, não é um bom dia para morrer, seria um bom dia para amar, se o amor fosse possível. Tempo bom para esquecer, caminhar sem destino, parar e observar o mundo como ele é,      egoísta, mal, triste...mas nada que um dia de Sol para aquecer  e alegrar um coração triste.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

CONEXÕES PERDIDAS


Resultado de imagem para RAÍZES DE ARVORES


Somos tão distantes uns dos outros, inventamos caminhos distraídos. Conexões perdidas entre as raízes das árvores. Sim, elas se comunicam, agora eu sei, e “só as árvores são naturais, o resto é fruto da mente do homem”. Comecei assim minha caminhada, de árvore em árvore. No início eram brincadeiras, balanços, navios e naves espaciais. Depois o entrincheiramento, a fuga e o esconderijo...sobre árvores brinquei minha infância, no alto, distante de quase todos, existiam os meninos perdidos, que sempre estavam sobre árvores, e por vezes, os encontrei e brinquei, mas distantes uns dos outros. Corpos estranhos em lugar comum a todos. Não adianta uma multidão, se te sentes só. Como diz aquela canção de um suicida: “quando a rotina pesada e as ambições são pequenas, e o ressentimento voa alto, mas as emoções não crescem. E estamos mudando nossos caminhos, pegando estradas diferentes”. Somos tão distantes e estranhos uns aos outros. Inventamos caminhos de amor e morte e desculpas para não olhar nos olhos. Negamos respostas que se encontram dentro de nós, mas não sentimos nem vemos. Seguimos caminhos entre árvores, que se colocam lado a lado, em pares, unidas pelas raízes do amor eterno, e resistem ao tempo e as tempestades, aos raios que teimam em se atrair por elas, matando uma, morre de amor a outra. Menos oxigênio, pouco a pouco, pois nossas conexões não são fiéis como as árvores, e apesar do tempo gasto entre nós, estranhos e individualistas, nada mudará este estado, esta forma de viver. Somos tão distantes e estranhos uns dos outros.



"When routine bites hard and ambitions are low
and resentment rides high but emotions won't grow
And we're changing our ways
taking different roads"

by Joy Division


terça-feira, 9 de maio de 2017

NÃO SEI QUANTAS ALMAS TENHO

"Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana.
Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso." by Fernando Pessoa
Resultado de imagem para FERNANDO PESSOA




Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu



by Fernando Pessoa

sexta-feira, 5 de maio de 2017

QUEM TEM MEDO DE ROBÔ MAL ?


Resultado de imagem para ROBÓTICA
Estava eu atarefado com minhas coisas de trabalho, em uma manhã de raro Sol sereno, uma leve brisa, um dia perfeito de um bom Outono. Tenho quarenta degraus para encarar toda manhã, que faz parte de minhas funções, uma espécie de arauto do apocalipse, saio pelo prédio a entregar material de expediente, cartas, oficios, requerimentos, enfim, um traço da tecnocracia, uma burocracia louca e destruidora que nós seres humanos criamos, agora comandados pelo mundo virtual. Que chega contudo, oferecendo as mais incríveis possibilidades virtuais. Chega de papel ( as árvores agradecem). Chega de seres humanos, afinal os computadores estão sendo aperfeiçoados para nos substituir. Como vivemos praticamente na barbárie, onde a política suja o pouco que resta de dignidade do povo brasileiro. Mas não podemos reagir, afinal as leis estão aí para proteger o cidade e a sociedade, a busca da paz social. E não é o que vivemos hoje, nosso país, nossas cidades frequentam os piores ranks na violência, matança nos presídios, gays são mortos assim, simplesmente. E da saúde, a saúde não existe mais, estamos todos doentes. Mas nossos filhos estão viciados nesta nova onda. A virtualidade. Mas quem disse que é para o nosso bem as máquinas criadas pelo próprio homem. Não é de se admirar, se nos matamos com tanta facilidade e por nada. Respeito ? Palavra banida de nosso dicionário. E no redemoinho desses pensamentos, percebo uma movimentação no castelo onde trabalho, os lugares de repente, estavam vazios ou um e outro, trabalhando maquinalmente. Um curso para aperfeiçoar e implantar um novo sistema altamente virtual, o futuro chegando a galope nestes pampas. Foi então que percebi, sou carta fora do baralho, meu trabalho não carece aperfeiçoamento, já posso ser descartado, assim como fiz concurso para entrar, mas como o que faço um robô fará, não existe mais a necessidade de minha presença. Socialmente senti-me excluído por não ser chamado, assim como todo mundo que precisar deste serviço. Ou manobras um robô ou desiste e fuja para o campo, o mato, longe, longe de tudo aqui. Até que os robôs deem falta e começam a seguir, numa louca caçada, aos seres humanos. Enquanto isso, tomo meu chá, fico em silêncio, esperando o momento em que serei chamado, para dizerem que não precisam mais de meu serviço.