sexta-feira, 20 de julho de 2018

RENASCIMENTO OUTRA VEZ


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Faço longas cartas pra ninguém, como saída de emergência, antes de ser devorado pela demência ...que delitam pequenos plágios, ditas influências e até inspiração, tudo para ter palavras para jogar num papel ou tela virtual, não de Monet ou Oiticica, é só meu espelho. Através dos meus olhos, adentro minha alma, perdida há muito tempo em espaço inconsciente e infinito dentro de mim, dentro de um mundo dentro de mim...Ou fantasmas trazendo memórias perdidas da minha história, do que vivi e planejei viver e não consegui, lembro isso também. Trago ainda no peito a dor de um coração partido, que amou como nunca, até entender que reciprocidade é uma mão de duas vias, não se ama só. E quando se ama só, de presente tem o sofrimento. Mas do amor nada sei ou esqueci, quero acordar em paz, não ser despejado do meu corpo, nem da minha casa, tomar café olhando a grama do pátio, onde poderei ver os pássaros voando, na espera que este deus que eles veem tomando café lhe provenha a comida do dia. Mas não entendo a linguagem deles como uma amiga que conheço, e eles apenas voaram por ali tentando alguma minhoca desavisada...Deus não dorme e sou um homem de pouca fé, mas não consigo não pensar ou sentir Ele no meu caminho, por mais que me sinta só, eu não estou, eu não estou. Mesmo o niilismo nada conseguiu mudar, embora fosse tão fácil se jogar no nada, mas tenho tanto a rever comigo, renascer outra vez aos 51 anos de velhice. As longas cartas que receberei de alguém que habita minha alma, que não tinham destinatário, agora tem. Longas cartas escreverei dizendo para mim que eu viva, que vale a pena, que a vida vale a pena, mesmo que o pão seja caro e a liberdade nenhuma. Estar aqui, agora, já é uma vitória. Pequenos delitos, pequenos plágios, doces inspirações para escrever as palavras que me fazem sentido.



Obrigado. adriana calcanhoto pitty bi claude monet dj rafa helio oiticica gugu legião urbana helena eu Deus eliana p.niilistas anjos tais inverno de 2018 dj raquel julho the smiths maria morrissey minha mãe.

terça-feira, 17 de julho de 2018

QUANDO AS VOZES SE OCULTAM

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MAL NECESSÁRIO


Sou um homem, sou um bicho, sou uma mulher
Sou a mesa e as cadeiras deste cabaré
Sou o seu amor profundo
Sou o seu lugar no mundo

Sou a febre que lhe queima, mas você não deixa
Sou a sua voz que grita, mas você não aceita
O ouvido que lhe escuta
Quando as vozes se ocultam

Nos bares
Nas camas
Nos lares
Na lama

Sou o novo, sou o antigo
Sou o que não tem tempo
O que sempre esteve vivo
Mas nem sempre atento
O que nunca lhe fez falta
O que lhe atormenta e mata

Sou o certo, sou o errado
Sou o que divide
O que não tem duas partes
Na verdade existe
Oferece a outra face
Mas não esquece o que lhe fazem

Nos bares
Na lama
Nos lares
Na cama

Sou o novo, sou o antigo
Sou o que não tem tempo
O que sempre esteve vivo

Sou o certo, sou o errado
Sou o que divide
O que não tem duas partes
Na verdade existe

E não esquece o que lhe fazem
Nos bares
Na lama
Nos lares
Na cama
Na cama
Na cama
Na cama


by Mauro Kwitko
na voz de Ney Matogrosso 

MALDITA, MALDITA LÍBIA


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Gravura de Debret


As lágrimas brotam em meus olhos e não correm pela face, apenas espiam o mal tempo em que vivo e que sinto. Estou ausente de mim e de fé, sem caminho, sem luz, sem escuridão. O nada. O ser humano anda perdido caminhando sobre a Terra, sem destino, tendo as portas fechadas, sendo humilhado em campos de refugiados, quase de concentração como na Alemanha Nazista. Como meu coração pode ser feliz, se estamos sendo senhores e escravos novamente. Os refugiados sendo escravizados na Líbia. Maldita Líbia. Ou seríamos nós, os homens, oportunistas e gananciosos, aproveitadores da desgraça alheia. Aproveitadores da fragilidade de quem deixou sua terra fugindo de guerras e fome e encontram a dor e a escravidão. Meu coração dói e sangra. Minha garganta não grita de dor, esta sufocada e sem ar….Maldita, Maldita Líbia.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

NADA


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Nihil



o vazio das horas, do tempo

o sábado guardado

o domingo

fechado entre o quarto e o banheiro

buscando uma felicidade em gotas

bebendo do fel e do mel e do mal

o bem afogou-se na enxurrada

meus olhos espiavam entre as frestas da janela do quarto

o dia que não acabava

a dor que não cessava

o silêncio o vazio o nada

que compõem esta vida

não vida

não nada

o vazio das horas, do tempo

o nada

o nada

quinta-feira, 12 de julho de 2018

PASSOS LENTOS


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Sobre todas as coisas do universo, eu quase nada sei, pois existem as que ainda não foram descobertas e talvez nunca sejam. Como as coisas que acontecem em meu coração, que a estas alturas do tempo passado, já não bate mais com tanto vigor e se perde em suas lembranças de fracassos, decepções, angústias, dores e abandonos. Não sei como ele ainda pulsa, num corpo que a cada dia enfraquece mais, doenças saltam e modificam o corpo, que já não corre, se arrasta. Faço parte do universo, ainda, mas me limito a olhar as estrelas, sentir o vento, a água nos pés quando me aproximo do rio. Do rio que me chama, assim como chamou Jeff Buckley, assim como fez Virginia Woolf encher os bolsos de pedras, e adentrar ao rio até sumir. Sobre as coisas que costumava passar correndo, parece um passado remoto. Hoje me arrasto como velho que sou, com as dores típicas da idade avançada. Olho escadas e tenho vontade de morrer, mas insisto, e subo os 40 degraus por necessidade e dor. Não há nada mais triste que um homem morrendo de frio, diria Vitor Ramil, pois digo; não há nada mais triste que ver o caminho e as pernas não alcançarem, com passos lentos, passos lentos entremeados por uma dor absurda no joelho. De joelho pedi aos céus, ao universo de Deus que não me deixe sofrer. Mas não tenho resposta, mesmo olhando as estrelas, mesmo mantendo a fé. Sobre todas as coisas do universo, não falarei mais, vou ficar aqui sentado nesta pedra do caminho, passando a mão no joelho doente, olhando o caminho que teria a seguir, chorando baixinho, para não espantar os pássaros que voam sobre mim, estes sim, sabem mais coisas sobre o universo, que nos transforma em poeira cósmica, quase um nada diante de tanta magnitude.


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