sexta-feira, 16 de agosto de 2019

CÉU INFINITO

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Olhando pela janela, consigo ver os campos ao longe, e no céu, nuvens em perspectiva. Tão lindo, o dia claro, um Sol morno invernal e mesmo assim, aquecendo os corações congelados, que não sabem amar. Muitas lágrimas se apertam no corredor da saída para os olhos, que estão secos, opacos e distantes, olhando pela janela. Podes me chamar, que não ouvirei, nem quando tocas minhas músicas favoritas, aquelas de amor e morte e perdição. Mas consigo arrancar um sorriso meio torto de mim mesmo, quando um pássaro quase bate na janela que estou, se assusta e voa alto...quando então sou abandonado, tentando chamar no infinito, alguma paz para minha vida, meu coração. Poderia sair e me divertir em algum bar ou praça, mas as pessoas estão preocupadas demais em ganhar dinheiro, eu também deveria, mas não tenho a mesma sorte dos afortunados. Vejo campos ao longe e não consigo ver as flores do meu jardim, como os outros, vejo a alma mal formada das crianças, que aprendem com seus pais a odiar o próximo e amar só a si mesmo. Não consigo mais olhar dentro de mim, não aguento mais ver angústia, dor e solidão...ficarei aqui, catatônico, olhando o nada pela janela, ou o céu infinito.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

CAMINHANDO MEUS SAPATOS

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    curiosidade no caminh de Santiago

"Caminharei os meus sapatos em Copacabana
Atrás de livro algum pra ler no fim de semana
Exercitar aquela velha ótica sartreana
Vendo o maxixe falso da falsa loira falsa bacana"


by Vitor Ramil

Caminhando meus sapatos pela rua, deparo-me com um mural anunciando os mortos da cidade. Tomei por hábito, todos os dias ler e despedir-me dos que partem. Há muito tempo faço este caminho, há muito tempo viemos morrendo, um pouco a cada dia, às vezes só um. É quando Penso em mim, assim como na vida, estarei só na morte também. E quem vai ler meu obituário ?  com uma fotografia provavelmente mais jovem, não existem muitas fotos minhas por aí, minha baixo estima nunca me permitiu self, ou algum exibicionismo. Mas vivo bem assim, na companhia de cães, remédios antidepressivos e livros. Minha alegria artificial. Melhor que chorar sem motivo. Chorar só é bom no escurinho do cinema, ou quando acordamos, pois deveríamos chorar de alegria e agradecimento, depois sorrir, por estar ainda vivo. Do outro lado da rua do mural, existe uma pracinha, com brinquedos. Gosto de sentar aos sábados por alguns instantes, para apreciar a alegria gratuíta das crianças, só um pouco, pois estas, as crianças, são sinceras demais e podem me ver e falar da solidão daquele tio. Eu. Embora só, por vezes não gosto de olhares inquisitores e preconceituosos. Um homem só. Deve ser um infeliz. Pode ser uma ameaça, louco. Daquele jeito nunca terá ninguém.................E não quero, pois ninguém pertence a ninguém. Ninguém é de ninguém homem estrangeiro. Osso. Boneca, Tapete persa. Acabou meu tempo, preciso seguir, ainda estou vivo, só e caminhando meus sapatos por aí.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

QUANTO

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  • Chegando neste porto, que não é seguro, lançarei âncora por breves instantes ou a eternidade de Camões. Ele é eterno. Caminharei meus sapatos, com passos firmes, mas lentos, absorvendo o impacto. Silenciando a cada batida de salto no asfalto...Do alto se vê a baía, as pessoas pequeninas, ao longe. Apropriação indébita de palavras, direitos autorais, Vitor e Nei. Sigo adiante, galopando campos, pampas, planícies, florestas. ? Cadê a floresta que estava aqui ? ainda nos perguntaremos ao darmos conta que nada fizemos contra a ganância, sendo corrompidos pela indiferença, constataremos a  inexistễncia da Amazônia. Assim como na ditadura, sumiram tantos, tantas, perdidos até hoje. Na atual circunstância política, moral, existencial, resta-nos o silêncio. Então quando abrir-mos a boca, estaremos mudos, não teremos mais prazos, nem minutos. Isso será só o fim. Enfim.  Desde minha chega a este  porto, muitos portugais e áfricas fizeram meu caminho passado. Cantarei fados, evocarei espíritos tribais, para que me digam, para que me calem, que me embalem nesta dança louca dos tempos, do tempo. Quantos portos ainda terei de ancorar minh'alma enfraquecida, para que enfim ela tenha seu descanso eterno ?

terça-feira, 23 de julho de 2019

TRISTES VAIDADES

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Florbela Espanca


Para Quê?! 


Tudo é vaidade neste mundo vão ... 
Tudo é tristeza, tudo é pó, é nada! 
E mal desponta em nós a madrugada, 
Vem logo a noite encher o coração! 

Até o amor nos mente, essa canção 
Que o nosso peito ri à gargalhada, 
Flor que é nascida e logo desfolhada, 
Pétalas que se pisam pelo chão! ... 

Beijos de amor! Pra quê?! ... Tristes vaidades! 
Sonhos que logo são realidades, 
Que nos deixam a alma como morta! 

Só neles acredita quem é louca! 
Beijos de amor que vão de boca em boca, 
Como pobres que vão de porta em porta! ... 

 by Florbela Espanca
in "Livro de Mágoas" 


MUITO OBRIGADO TAIS LUSO


terça-feira, 9 de julho de 2019

NÃO ME DIGA NADA

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Diga-me não e te darei as costas
retrocederei passos tropegos e assustados
convencido que o não é verdadeiro…
Vou atirar mil vezes pelo ar
toda minha alegria
destilarei meu veneno
e não morrerei de apatia.
Vou sacrificar meu amor cego e mudo
sob teu olhar de piedade e asco
Diga-me não todos os dias,
e todos os dias direi amém.
A vida sempre me negou fortuna,
mas me deu liberdade para criar
poemas, textos tolos, e velhas canções,
que nunca cantarei…
Ainda sob teu olhar,
o meu olhar no chão..
Diga-me não
o não que permeia minha vida
o não que acabará com ela
o não que me fará infeliz
o não como lápide do meu túmulo…
Diga-me não e morrerei mil vezes
e viverei mil vezes
dentro dessa ilusão
chamada vida.
Não me diga nada.


by Jair Machado Rodrigues

sexta-feira, 5 de julho de 2019

VOZ

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Ouço tua voz e não consigo escrever nada, nem da dor que maquiada de remédio, suspira e não sangra dentro de mim. Dá última vez ouvi teu canto falando de esperança, de querer, se doar e receber, amar, perdoar e amar de novo...ainda assim, quando fecho os olhos te vejo falar dos astros, e de suas relações com a música. Áries, me disse, gosta de rock pesado, mas melodioso. Pensei no primeiro disco do Radiohead. E que o tempo todo temos uma música embalando nossas vidas, como trilhas sonoras de novela...acho que minha trilha é o silêncio, que grita e ninguém ouve, só eu, só. Gostaria de falar de volta, manter um diálogo, mas como nos sonhos, eu era apenas espectador, ou mera figuração. Enquanto a história se desenrola e seus heróis e vilões ganham vida e ganham guerras de presente do destino, que cruel e mal, nos aguarda em toda esquina, como uma roleta russa, no próximo passo, na próxima esquina, poderemos sucumbir. A música acalma minha alma atormentada nesta existência, sugo todo som musical que me rodeia, assim como aproveito das cores das flores que passam por mim, na floricultura oriental, em alguma esquina, que pode ser a última. Escutarei tua voz pra sempre, gravada em meus ouvidos, no meu inconsciente, minha pele, feito tatuagem sonora ad infinitum... Ouço tua voz, e vagas palavras me surgem dentro de minha cabeça. O silêncio que mantinha, aquecido debaixo das cobertas, do último inverno frio e triste e só. Sempre só...enquanto isso, a voz que fala, dá lugar a voz que canta, então    desisto, me entrego  a própria sorte do amor...Amy canta e eu não sou um garoto bom, talvez um verme, um creep. Depois, estarei na esquina da morte, e ela não me verá, deixando-me vivo, ouvindo minha melodia triste, sem nem um beijo de chegada ou de adeus. Ainda ouço tua voz, embora entrando em sono profundo, e uma esperança da sonhar contigo, me falando ao ouvido, cantando para minha alma.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

AMOR TOLO É ENVIADO DO CÉU

Every You Every Me

Placebo


 
 
Sucker love is heaven sent
You pucker up, our passion's spent
My heart's a tart, your body's rent
My body's broken, yours is bent
Carve your name into my arm
Instead of stressed, I lie here charmed
'Cause there's nothing else to do
Every me and every you
Sucker love, a box I choose
No other box I choose to use
Another love I would abuse
No circumstances could excuse
In the shape of things to come
Too much poison come undone
'Cause there's nothing else to do
Every me and every you
Every me and every you
Every me
Sucker love is known to swing
Prone to cling and waste these things
Pucker up for heavens sake
There's never been so much at stake
I serve my head up on a plate
It's only comfort, calling late
'Cause there's nothing else to do
Every me and every you
Every me and every you
Every me
Like the naked leads the blind
I know I'm selfish, I'm unkind
Sucker love I always find
Someone to bruise and leave behind
All alone in space and time
There's nothing here but what here's mine
Something borrowed, something blue
Every me and every you
Every me and every you
Every me
 
by Placebo
 
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Placebo