segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

DORINHA MEU AMOR...

Resultado de imagem para SEMPRE TRISTISSIMAS ESSAS CANTIGAS

Na boca
Sempre tristíssimas essas cantigas de carnaval
Paixão
Ciúme
Dor daquilo que não se pode dizer

Felizmente existe o álcool na vida
E nos três dias de carnaval éter de lança-perfume
Quem me dera ser como o rapaz desvairado!
O ano passado ele parava diante das mulheres bonitas
E gritava pedindo o esguicho de cloretilo:
- Na boca!Na boca!
Umas davam-lhe as costas com repugnância
Outras porém faziam-lhe a vontade.

Ainda existem mulheres bastante puras para fazer vontade aos viciados

Dorinha meu amor....
Se ela fosse bastante pura eu iria agora gritar-lhe como o outro:
- Na boca!Na boca!

 by  Manuel Bandeira

8 comentários:

  1. Pois é, Jair, sou bastante velho para lembrar a música de Mário Reis, década de 50. Aqui a letra que inspirou Manuela Bandeira:

    Dorinha, meu amor
    Porque me fazes chorar?
    E sou um pecador
    E sofro só por te amar!
    (bis)

    Não sei qual a razão
    Que eu sofro tanto assim
    Castigo sim, castigo sim
    Imploro a Deus
    Para vencer o teu amor
    O teu amor, amor

    Dorinha, meu amor...

    Dorinha, juro que
    Só pensarei em ti
    Somente em ti
    Somente em ti
    Só tu que podes dar
    Alívio a esta dor

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    1. Então meu bom amigo, eu também rs...tenho uma lembrança afetiva e real, uma novela da globo, Olhai os Lírios do Campo baseado em Érico Veríssimo, e uma personagem faz teatro de revista da época...Marília Padilha, bem mocinha rs e era esta música que elas cantavam, lembro que a roupa obscena era um espécie de calção que as meninas usavam lá longe (cheguei a ver com as mais pudicas no colégio, mas desapareceu), meio bombachinha, só que em tecido vistoso...esta melodia sempre me acompanhou, e como estou a caça dos poemas da minha vida, existe este que postei, por isso eu dar nome ao post de Dorinha meu amor. Maravilhoso isso meu caro Jair Lopes, para sempre meu senhor de todas as palavras, pensamentos meus e agora melodias perdidas no fundo do inconsciente, e tu trazes à tona...mais que isso, devolve-me o prazer de escrever, responder, interagir com o próximo, estava tentando me isolar até aqui no blog, mas é bom demais compartilhar, trocar, conhecer...obrigado meu amigo, obrigado.
      ps. Carinho respeito e abraço.

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  2. Muito interessante, esse final arrancou-me uma gargalhada!
    Abraço

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    1. Ironia, deboche, fanfarrice e uma poesia muito rica, criativa e , engraçada. Não chega lembrar Bocage, o poeta português que também desafiou os costumes...;cada qual no seu quadrado rs... gosto disso, o poema é vivo, te provoca a lágrima, melhor quando o riso. Não poderia esperar outra reação de alguém com os olhos e a alma tão sensíveis, como a foto das folhas de plátanos no inverno luso. Sempre um imenso prazer recebe-lo aqui, como é meu prazer navegar no teu blog. Carinho respeito e abraço.

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  3. Meu caro Jair, Manuel Bandeira é um poeta nota mil; um poeta que adentrou a alma do homem brasileiro. Pois é, às vezes penso que já perdi algumas passagens muito interessantes por não assistir novelas, principalmente, essas novelas de época ou aquelas sobre literatura.
    Um abração. Obrigado por vossa visita lá no meu modesto espaço. Tenhas uma boa tarde.

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    1. Meu caríssimo amigo Dilmar, meu poeta crítico, que faz da poesia voz para nossas mazelas políticas que vivemos, és um poeta do meu tempo. Bandeira como tantos outros, nos mostram que a poesia é atemporal, que vai nos marcando e ligando um ao outro sem termos consciência, apenas que fazemos parte de uma mesma coisa, sem nem sabermos exatamente o quê, apenas que vivemos e fazemos parte de uma mesma coisa, planeta talvez, ideias, sentimentos. Meu amigo sinto-me renascendo para meu estado normal, não me excluindo, não me permitindo eu mesmo viver. Obrigado amigo, fazes parte de meu levante espiritual, fazendo eu sentir a poesia da vida em minhas veias. Obrigado. Carinho respeito e abraço.

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  4. Oi, meu amigo! Também adoro Manuel Bandeira, é a expressão fiel do Brasil e do homem moderno, suas inquietações, angústias...
    Meu querido amigo, eu é que agradeço teus comentários no meu canto, também ganhei presentes de você durante esse ano que vai nos deixando. Coisa triste essa palavra "deixando". rs
    Adoro essa interação entre blogs - não rede social. Deixamos em nossos blogs conteúdo, carinho, palavras cordiais aos amigos que prezamos. E nada de disputas, ao contrário, uns dando força para os outros, isso gosto muito.
    Sempre estarei por aqui, lendo, rindo de algumas 'tiradas' suas, como você bem diz: sou dramático!
    Grande abraço, amigo, obrigada sempre.

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    1. Querida amiga Tais, mais um presente rs...Manuel Bandeira, como bem dizes, é a expressão fiel do Brasil. Ele sempre nos envolve, com seus poemas, por vezes irônicos, outras alegres e algumas nem tão alegres assim., mas ligado profundamente nos tipos brasileiros. Penso assim também com relação aso blogues, e me recuso a participar de outra rede qualquer (tenho face, mas não posto quase nada, apenas para manter contato com os amigos que deixei em Canoas). Também acho estranha a palavra 'deixar'. Estramos num locomotiva desgovernada, passando,passando e deixando para trás nosso rastro, nossa história, coisas boas e coisas más, apenas deixamos...Finais de ano nunca me fizeram muito bem, embora os últimos tenham sido razoáveis, depois que comecei com o blog. Gosto demais de te visitar, gosto do teu estilo iluminado para escrever bem, sobre coisas boas ou más, mas uma forma sempre leve, que nos faz refletir, sem agredir ninguém, gosto da paz da blogosfera também. Obrigado sempre por este carinho, estas visitas que enchem minha alma de alegria. Carinho respeito e abraço.

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